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Gazeta Paços de Ferreira

14/02/2026, 0:00 h

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Vitória segura, não seguríssima

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OPINIÃO POLÍTICA

No domingo passado, mais de metade dos eleitores foram às urnas decidir o próximo Presidente da República portuguesa. Os resultados demonstram que António José Seguro conseguiu conquistar a maioria dos votos, que inicialmente ficaram espalhados por outras candidaturas na primeira volta, enquanto André Ventura conquistou menos de 10% a mais na segunda volta.

Por Filipe Rodrigues Fonseca (Engenheiro Informático e Dirigente do Livre Vale do Sousa)

 

Num dia em que se temia a falta de mobilização por condições climatéricas adversas e uma “garantia” da vitória de Seguro nas sondagens, demonstrou-se que os portugueses não desejam que políticas populistas vençam eleições.

 

O resultado das eleições não poderia ser mais claro: uma vitória com número recorde de votos num candidato presidencial. Foi uma vitória segura que aumenta a legitimidade do mandato e que demonstrou que a narrativa da democracia vs antidemocracia venceu sobre a narrativa esquerda vs direita de Ventura. Quando regressamos a novembro, poucos imaginavam a vitória do candidato socialista sobre fortes candidatos como Marques Mendes e Gouveia e Melo. Mas a campanha eleitoral até janeiro, envolta em polémicas, ataques, voltas e reviravoltas, fez a estabilidade e a calma de Seguro brilhar para os eleitores. Foi um candidato agregador à esquerda e à direita, ultrapassando barreiras habitualmente impostas pela disponibilização de diversas candidaturas, e cujo discurso agradou à maioria da população.

 

 

 

 

A vitória do socialista não foi seguríssima. Não o foi, porque, ao conquistar a segunda volta, André Ventura já fica com a sua vitória pessoal: ganhar ao atual candidato do governo e mais três semanas em que apareceu diariamente na comunicação social. O candidato conseguiu que muitas pessoas abrissem, pela primeira vez, a temível caixa de Pandora: votaram pela primeira vez num candidato extremista e reacionário. Um terço dos eleitores que foram às urnas já têm a caixa aberta e poderão, no futuro, ajudar o Chega a crescer em legislativas. Mesmo assim, a narrativa de candidato principal da direita não foi rececionada pelo eleitorado, que continua a ver André Ventura como um candidato fora da esquerda/direita tradicional.

 

O último domingo foi um bom dia para a democracia portuguesa. A vitória segura demonstrou que a população ainda resiste à tentação de uma liderança autoritária, mas teoricamente milagrosa. Se poderão vir consequências negativas dos resultados a longo prazo, o sistema democrático ganhou mais uns meses de vida. E em política, todos sabemos que em meses o país dá muitas voltas.

 

 

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