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Gazeta Paços de Ferreira

14/02/2026, 0:00 h

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Um dia grande para a democracia

Opinião Direito

OPINIÃO

O último domingo foi um dos dias mais marcantes vividos pela sociedade portuguesa.

Por Artur Costa (Juiz-Conselheiro jubilado, ex-cronista do JN)

 

Seguindo a exortação do presidente Marcelo no seu discurso de sábado, o povo português compareceu em massa ao acto eleitoral, apesar das tempestades sucessivas que nos têm assolado e das tragédias que têm causado. Foi, realmente, uma grande vitória do sentido cívico e da democracia sobre a calamidade e sobre a ameaça de ventos ruinosos para o nosso futuro colectivo.

 

O povo português com as suas elites numa coincidência feliz, ao contrário do que propalou Ventura incendiariamente, como é seu timbre, soube apreender o que estava em jogo nesta eleição e responder com o alto sentido requerido pelos grandes momentos da nossa vida comunitária. O povo português sentiu que este era um momento crítico em que se impunha defender a nossa democracia contra o pandemónio que previsivelmente se instalaria em Belém e os sobressaltos que estavam prometidos à sociedade portuguesa.

 

 

 

 

Quando acontece esta confluência do sentido cívico com a defesa  da liberdade e da democracia, é caso para nos sentirmos em festa enquanto colectividade que preza os seus valores mais impostergáveis.

 

É claro que, a ter Ventura alcançado uma improvável, mas não inarredável vitória contra a dignidade, a seriedade, o sentido institucional e a indefectível democraticidade de Seguro, a democracia não seria logo riscada do mapa, até porque o Presidente da República não tem poderes executivos, como tem o  presidente Trump, que está a dinamitar as instituições democráticas americanas, mas ficar-se-ia à mercê de um presidente truculento, que tem como objectivo esfarrapar a Constituição, que endeusa a polícia e que não é capaz de criticar as ilegalidades  cometidas por alguns dos seus membros, por hediondas que sejam, e, acima disso, que tem defendido  a irresponsabilidade criminal do uso mortífero das armas por parte de agentes policiais. Um presidente que tem hostilizado os imigrantes, apesar de  estes fornecerem mão-de-obra necessária e contribuírem com muito dinheiro para a Segurança Social, e  que ostraciza etnias, como a dos ciganos. Enfim, todo um programa que poria em causa a nossa democracia.

 

 

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