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Gazeta Paços de Ferreira

17/07/2026, 9:37 h

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Conceitos …

Educação Opinião ROSÁRIO ROCHA

EDUCAÇÃO

A escola tem como principal missão e objetivo o Ensino e a Educação. Vai muito além da transmissão de conhecimentos académicos e deve promover o desenvolvimento integral do aluno, sendo um espaço onde se fomentam os valores de respeito, empatia e a capacidade crítica tão necessários para a vida em sociedade.
É tudo muito bonito na teoria, mas na prática não é tão fácil assim e os conceitos chave usados frequentemente como bandeira, nem sempre vão muito além disso...

Por Rosário Rocha (Professora do AE Frazão)

 

Inclusão

 

Não há nenhuma escola que não tenha nos seus documentos orientadores que é uma escola inclusiva. A escola inclusiva é aquela que procura garantir a todos os alunos, independentemente das suas capacidades ou condições físicas e cognitivas, o direito de aprender juntos no mesmo espaço, desenvolvendo o máximo possível as suas potencialidades. Nem todos atingem o mesmo nível, nem todos precisam das mesmas atividades, mas é aí que a escola se adapta à criança e não a criança à escola.

 

A inclusão, ao contrário do que se pensa normalmente, não existe só para as crianças com uma “deficiência” diagnosticada. A inclusão é para todas as crianças, pois cada uma é diferente. É para aquelas que têm dificuldade de se adaptar à escola, seja porque mudaram de país, seja porque a família não é tão bem estruturada e a afeta emocionalmente, seja para quem tem necessidades educativas especiais motivadas por alguma deficiência.

 

Uma escola inclusiva é aquela que aceita que a diversidade existe e que a aproveita para promover a aprendizagem de todos.

 

 

Qual o problema da escola inclusiva

 

O verdadeiro problema é que ser uma escola inclusiva é exigente. Não é fácil conseguir encontrar um rumo no meio de tanta diversidade. Quando temos 4 ou 5 elementos numa família, é difícil chegar a um consenso por exemplo nas atividades a organizar para atender a todos os interesses. A situação agrava-se numa turma com mais de 20 personalidades com interesses, necessidades e capacidades diferentes.

 

Os pais quase exigem tratamento especial para o seu educando, porque para eles ele é único. Os docentes veem-se perdidos no meio de tantos!

 

Tem havido uma mobilização no sentido dos pais que têm filhos com uma deficiência diagnosticada exigirem mais recursos para os seus filhos. Os docentes também se queixam de falta de recursos. Pois bem: não pode haver um professor para cada aluno. É verdade que ter quem ajude é bom, mas nem sempre mais pessoas se traduzem em melhor evolução para as crianças. Nos últimos anos são vários os recursos afetos às crianças: psicólogos, terapeutas, docentes com formação específica…

 

 

 

 

Porque nos queixamos de falta de recursos, então?

 

O verdadeiro problema da escola inclusiva está na falta de articulação e de trabalho verdadeiramente em equipa.

 

Sei que vou ferir suscetibilidades, mas do meu ponto de vista tudo mudará quando um aluno não for do professor titular, do professor da educação especial, do psicólogo, do terapeuta… O aluno é da turma e da escola. Os recursos e as estratégias devem ser aplicadas no mínimo às turmas, em contexto, em plena sala de aula. É lá que se trabalham as competências de aprendizagens e sociais. O aluno não pode ser trabalhado em gabinete, mas maioritariamente em contexto social. É na integração, no meio da diversidade, que se desenvolve e promove uma cultura de respeito e aceitação das diferenças.

 

É fácil? Não, é exigente! Mas é verdadeiramente inclusivo e é a preparação para a vida em sociedade, porque as crianças melhor do que os adultos entendem e aceitam a diferença se se habituarem a ela desde cedo.

 

 

Conceitos de solidariedade, cidadania, ecologia

 

Também são conceitos que são bonitos para se integrar em projetos educativos e cartazes. Mas, na verdade, se formos investigar um pouco, as ações de solidariedade muitas vezes resumem-se a recolhas de comida ou do género, normalmente uma vez por ano, e frequentemente na altura do Natal. Parece que a fome, ou as necessidades básicas, só aparecem na altura natalícia. Então cumprimos a missão: somos solidários!

 

O mesmo acontece com o conceito de ecologia, proteção do ambiente e afins… Fazemos uma ação de limpeza, somos bons cidadãos uma vez, e pimba: somos ecologistas e cívicos!

 

Não, não somos nada… nem somos solidários, nem cívicos, nem ecologistas…somos propagandistas.

 

Do meu ponto de vista deveria haver projetos efetivos de solidariedade, de proteção do ambiente, de cidadania. Projetos focados essencialmente na comunidade, no nosso quintal, porque se cada um protegesse e desenvolvesse o seu quintal, o Mundo estaria mais protegido. Falo em projetos com ações sistemáticas e não pontuais; com tempos semanais ou quinzenais e não anuais. Só assim a escola conseguirá ter uma ação transformadora (e tão necessária!) na Sociedade e conseguirá promover o desenvolvimento integral do aluno. Só assim a Escola se tornará um espaço onde se fomentam os valores de respeito, empatia e a capacidade crítica.

 

E sim: sempre que penso em Solidariedade, Cidadania e afins, penso na necessidade de implementar ações com os mais velhos, que neste momento considero serem cada vez mais marginalizados na Sociedade e observo essa marginalização crescente com preocupação. Temos que reverter o isolamento dos nossos idosos e devolver-lhes a utilidade; devolver-lhes essencialmente a visibilidade e reconhecer a sua existência tão valiosa.

 

Cuidar e valorizar a Terceira Idade, é fomentar e desenvolver nos mais novos valores que nos serão tão úteis daqui a uns anos…

 

 

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