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Gazeta Paços de Ferreira

30/08/2026, 0:00 h

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VAMOS LÁ A VER SE NOS ENTENDEMOS!

Opinião Opinião Politica Partido CDS/PP

OPINIÃO POLÍTICA

Há mais ou menos um mês defendemos aqui a demissão imediata do Ministro da Administração Interna (MAI). Um mês depois, o MAI continua no governo, continua a circular como se nada tivesse acontecido e continua sem explicar rigorosamente nada — o que, pelos vistos, já se tornou uma espécie de tradição nacional.

Por Óscar Leal (Militante do CDS de Paços de Ferreira)

 

Entretanto, algumas coisas mudaram: o PSD começou a dar sinais de azia, o PS lá foi dizendo que “assim é difícil” e os seus comentadores de serviço já ensaiam pedidos de demissão, ainda que ditos com a convicção de quem pede um café descafeinado. Até o Presidente da República resolveu finalmente pronunciar-se, embora com a subtileza habitual de quem tenta dizer sem realmente dizer.

 

Vamos lá a ver se nos entendemos: o MAI tem de sair por todas as razões e mais algumas. É difícil compreender os poucos que ainda o defendem — cada vez menos, como se fosse um barco a meter água e todos já tivessem percebido que não vale a pena procurar os coletes. O isolamento é evidente, até dentro do próprio governo. Não é possível que os restantes ministros não estejam, no mínimo, desconfortáveis ao partilhar a mesa do Conselho de Ministros com alguém que, convenhamos, está ali a prazo. Só não sabemos qual é o prazo, porque aparentemente o relógio político tem uma noção de tempo muito própria.

 

 

 

 

Outro episódio curioso destes dias — e que talvez explique melhor do que qualquer análise política porque o Primeiro-Ministro ainda não demitiu o MAI — foi a história das férias. Depois de a comunicação social ter difundido que o PM não iria de férias este ano, eis que é apanhado, como se costuma dizer, “a banhos” no Algarve. Como diria alguém conhecido, “não havia necessidade”. Não está em causa ir ou não ir de férias; está em causa o velho hábito de dizer uma coisa quando convém e fazer outra quando ninguém está a olhar.

 

Quando foi preciso limpar a imagem depois das viagens aos EUA para ver futebol, garantiu-se que não haveria férias. Passado algum tempo, talvez tenha achado que, com tanta trapalhada ministerial, já ninguém se lembrava dele. E lá foi apanhar sol e mar, que também não faz mal a ninguém.

 

É o que temos. E, provavelmente… o que merecemos.

 

 

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