29/08/2026, 10:24 h
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Opinião Opinião Politica Partido Socialista
OPINIÃO POLÍTICA
Por Tiago Silva (Membro do Comissão Concelhia de Paços de Ferreira do Partido Socialista)
O confronto entre os EUA e o Irão é o mais recente lembrete de que a superioridade convencional pode ruir perante a guerra de atrito e a assimetria estratégica.
Analisados os números norte-americanos, estes impressionam. Contudo, não anulam o cálculo real do terreno. O Irão não precisa de superar o Pentágono em tecnologia para o travar, basta-lhe baralhar a equação económica. Operando com mísseis e drones de baixo custo, Teerão força a maior potência do mundo a gastar interceptores de milhões de dólares e a lidar com o sufoco logístico no Estreito de Ormuz. A tecnologia de ponta tropeça na capacidade do adversário em expor as vulnerabilidades do comércio global.

Esta dinâmica tem um espelho evidente na guerra entre a Rússia e a Ucrânia. Moscovo iniciou a invasão sob a premissa de um esmagamento rápido apoiado pelo seu imenso arsenal. Anos depois, a realidade ditou uma estagnação atolada em fortificações e redes de drones acessíveis. A massa crítica russa foi neutralizada pela resiliência e adaptação de uma força defensiva estruturada.
O sentimento comum quanto ao fim destas guerras é o da habituação. Lamentavelmente, ao absorvermos o risco e a inflação como custos normais do quotidiano, corremos o risco de compactuar com a permanente instabilidade. Seja no Golfo Pérsico ou no Leste Europeu.
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