30/08/2026, 0:00 h
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Opinião Opinião Politica Juventude Social Democrata
OPINIÃO POLÍTICA
Por Inês Costa (Membro da Comissão Política de Paços de Ferreira da Juventude Social Democrata)
Desde que foi apresentado este projeto de lei muito se tem dito, aliás, a própria Amnistia Internacional condenou Portugal, defendendo que uma proposta desta cariz poderia “hostilizar as minorias”. O projeto foi aprovado por toda a direita, o que não deixa de causar estranheza e levanta uma pertinente questão: se esta lei é assim tão diabólica, como alguns pretendem fazer crer, como é que António José Seguro, oriundo da ala socialista (e já sabemos que estes são os derradeiros democratas), a promulga? Por que não recorrer à fiscalização preventiva da constitucionalidade ou ao veto político? Ora, a resposta é óbvia: porque, por misericórdia divina, o nosso Chefe de Estado não se deixou levar pela cegueira ideológica, conseguindo perceber que a segurança dos cidadãos e a proteção da nossa identidade e do nosso património cultural também são direitos constitucionalmente garantidos perante os quais incumbe ao Estado um dever de proteção.
Não se coloca em causa o direito à liberdade religiosa e ao livre desenvolvimento da personalidade. Aliás, enquanto Estado de Direito, reconhecemos e protegemos estes direitos enquanto direitos fundamentais. Porém, estamos perante uma colisão entre estes e a necessidade de salvaguardar a segurança pública, assim como a preservação de elementos estruturantes da nossa identidade cultural enquanto sociedade de matriz judaico-cristã.

Assim, atendendo ao regime material dos direitos fundamentais, a solução parece-me adequada, necessária e não excessiva. Não se proíbe o uso de vestes religiosas como o hijab, mas apenas da burca e do niqab, enquanto vestuários que cobrem integralmente o rosto, impedindo a identificação da cidadã em causa. Esta proibição conhece, naturalmente, exceções, designadamente nos respetivos locais de culto.
Por fim, gostaria apenas de denotar que uma medida não se torna automaticamente virtuosa e “amiga dos Direitos Humanos” por ser defendida pela esquerda. O que verdadeiramente importa para o bem-estar da comunidade e para legislar de forma oportuna é avaliar os seus fundamentos, a sua proporcionalidade e a sua finalidade. É precisamente esta capacidade de separar a ideologia da responsabilidade constitucional e institucional que se espera de um Presidente da República. Fiquei, por isso, particularmente surpreendida: afinal, a balança está equilibrada — entre liberdade religiosa e segurança pública, entre direitos individuais e proteção coletiva. E é precisamente deste equilíbrio que se faz uma democracia madura.
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