03/04/2025, 0:00 h
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FREGUESIAS
Rua da Agra em 2020.
AGRA - A consideração de toda a área, que para lá de Groute, confina com o núcleo de Parada, completa a imagem global da feição agrícola de S.Pedro.
Nos anos 50, não contava senão com duas unidades residenciais, as quais, em termos de propriedade e de trabalho agrícola, pouca articulação mantinham com a área agrícola, em que se situavam.
A caracterização da ocupação e da distribuição agrícola neste pólo obriga a fraccioná-la em dois blocos.
Um, em forma de vale medianamente inclinado , "vem" do sopé do Outeiro, "curva" na direcção do lugar do Rio e delimita, por E/SE, todo o pólo.
O outro, largo e alongado, coincide com a encosta suave, fronteiriça ao pólo do Reguengo, que, desde as matas de Groute, "desce para sul e "vai" ao encontro do bloco anterior.
Por em toda a sua extensão correr uma pequena linha d'agua, o primeiro era mais fértil e favoreceu a constituição de lameiros e a cultura do milho.
O segundo era aproveitado para culturas de sequeiro e para vinha, embora o recurso a poços, minas e a um longo rego foreiro - que se alimentava na linha d'agua do primeiro- tenha viabilizado pastagens e o cultivo de algum milho.
No pólo da AGRA, as parcelas eram mais pequenas e a sua propriedade era bastante mais repartida, apesar da concentração que, no segundo bloco, se fazia em favor de três famílias.
Os proprietários viviam fora do lugar, em Parada ou noutras freguesias.
A exploração directa da terra tinha aqui alguma expressão. A maior parte, porém, integrava duas explorações agrícolas com sede em Parada e em regime de arrendamento.
Numa visão abrangente de todo o território em análise, integradora dos pólos referidos, eram perfeitamente identificáveis em S.Pedro duas grandes manchas agrícolas.
A primeira ocupava toda a extremidade ocidental da freguesia. Distendia-se no sentido Norte/Sul e entrava pelo território das freguesias contíguas de Lustosa, Codeços e Lamoso.
Sustentava-se das águas do pequeno riacho que, tendo origem no sopé NW do morro de S.Goncalo, a flanqueava ou atravessava na direcção indicada. Por uma e outra das vertentes, escorriam fios d'agua de caudal inconstante. Em qualquer delas, abriram-se poços e minas, com interesse e aproveitamento intensivo no Verão. Coincidem com esta mancha o primeiro pólo agrícola e os lugares já referidos. O povoamento estabeleceu-se na cota de relevo imediatamente acima do vale, junto ao eixo da Estrada Municipal que "vinda" de Casais e, inflectindo para Sudeste, "leva" até ao centro e espaço da Igreja.
A outra mancha agrícola situava-se na parte oriental da freguesia e distendia-se pelos prolongamentos S/SE do morro de S.Goncalo.
Estrutura-se em dois eixos principais, que configuravam dois vales, estreitos, mas longos, e no dorso do relevo que entre eles se interpunha.
Para montante e altaneiras, nos lugares do Outeiro e da Igreja, localizavam-se as residências dos proprietários ricos e as respectivas casas agrícolas, integrantes do segundo pólo.
Pelo dorso do relevo, na direcção Sudeste, "seguia" a Estrada Municipal, que ligava o lugar da Igreja ao núcleo de Parada e seccionava o lugar de Groute e todo o pólo agrícola da AGRA.
Toda a mancha era cingida a ocidente pela EM, que "seguia" para Sudoeste e dava acesso a todo o concelho e à cidade do Porto. Nos flancos desta via, distendiam-se as vertentes, agricultadas ou florestadas, dos vales referidos.
Era a Sul, no espaço de confluência destes vales e dos fios d'agua, que neles corriam, que se implantava o pólo do Reguengo. Tal como na outra mancha, nesta com mais evidência, só o recurso a levadas, mais ou menos longas, a poços, minas e represas permitiu transformar as vertentes em áreas agrícolas com aptidão e rentabilidade aceitáveis.
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