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Gazeta Paços de Ferreira

03/08/2023, 0:00 h

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Prosas Às Quartas

Cultura Literatura

LITERATURA AÇORIANA

Pese embora a heterogeneidade apresentada, há no Humanismo um denominador comum.

Telmo Nunes

Num olhar mais ou menos atento sobre o panorama literário açoriano, torna-se impossível ficar indiferente ao número e à qualidade de iniciativas que visam a promoção da leitura, da escrita e do livro, de uma maneira geral. É um claro motivo de orgulho, parecendo-nos muito salutar esta vontade de assumir um dinamismo que, cremos, não encontrará paralelo no resto do país: lançamento de livros, reedições de outros, festivais literários, colóquios, feiras do livro, prémios literários (alguns de âmbito nacional), um Plano Regional de Leitura próprio (embora em vivência de um período mais ou menos letárgico), os modernos BookToks, a recuperação das vetustas bibliotecas itinerantes ou os Clubes de Leitura que pululam são alguns dos bons exemplos. Em uníssono, estas atividades têm redundado em relatos otimistas, dando conta do aumento do número de vendas, que se espera, se traduza num efetivo aumento do número de leitores.

 

Para além do que fica dito, esta temporada literária ficará marcada, ainda, pela dinamização de alguns cursos de escrita criativa, uma atividade que, não sendo muito usual entre nós, pelo menos enquanto atividade aberta ao público em geral, apresenta um conjunto de mais-valias muito interessante, desde logo, o desenvolvimento de competências de escrita: a qualidade textual, as estruturas e microestruturas textuais específicas de cada género, para além do normal desenvolvimento vocabular e de técnicas narrativas.

 

 

 

 

Ora, um desses cursos foi o coordenado pela professora Paula de Sousa Lima, reconhecida escritora açoriana que, munida do seu pragmatismo habitual, o tornou público em setembro último: “Amigos, vou dar, na Escola Secundária das Laranjeiras, um Curso de Escrita Criativa. Decorrerá uma vez por semana, em horário a combinar, e é gratuito. Podem inscrever-se na Escola. Aguardo-vos.” A este apelo responderam cinco pessoas, Carla Couto, Isabel Silva, Margarida Viveiros, Sofia Estrela e Vera Cymbron.

Segundo palavras da própria coordenadora, “a literatura não se pode ensinar”, pelo que foi o amor que todas lhe dedicam que as levou até àquele espaço de partilha, a cada quarta-feira, e durante todo este ano letivo que agora termina. Tendo optado pelo modo narrativo como base do Curso, houve trabalho no âmbito de diversas modalidades textuais, que se estenderam desde a “descrição, ao diálogo, a reflexão…”, e que resultaram numa expressão de enorme talento, com a criação de textos de qualidade reconhecida, por parte de todas as intervenientes.

 

 

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Chegadas ao final do ano letivo, e dada a qualidade e consistência apresentadas, considerou a Coordenadora não ser “legítimo […] deixar os textos delas votados ao olvido na penumbra do (seu) computador”, e, em boa hora, se decidiu pela publicação deste volume, que granjeou o nome de Prosas Às Quartas, (um nome que assenta na perfeição) por ser tão difícil a escolha de outro, considerando a diversidade textual que ali vem expressa.

Pese embora a heterogeneidade apresentada, há no Humanismo um denominador comum. Torna-se frequente ler sobre a condição humana e as inter-relações que se vão criando ao longo da existência, para além das vicissitudes típicas entre personagens que são mais ou menos próximas: expiação, doença, casamentos, relação entre pais e filhos, a força e a fraqueza humanas, mas também a sexualidade, a saudade, a coragem. Embora a civilidade sugira o contrário, até porque é notória a qualidade em qualquer um dos textos apresentados pelas cinco autoras, não há como deixar de sublinhar e enaltecer – até – a forma extremamente bela e claramente talentosa como se optou por encerrar este volume. Foi uma agradabilíssima surpresa, o corolário de muito talento, e de quem se exige mais e mais.

 

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Às escritoras que aqui se apresentam, muitos parabéns pelo trabalho desenvolvido e pelo arrojo e qualidade com que cunharam os textos agora editados. Há que manter essa chama viva e continuar a escrever, colocando em prática todas as sugestões que terão recebido ao longo de todos estes meses. À Coordenadora deste projeto, muitos parabéns pelo dinamismo e persistência, por todo esse amor à língua portuguesa e pelos constantes e elevados contributos com que tem engrandecido a nossa Literatura.

 

 

Vários (Coordenação de Paula de Sousa Lima), Prosas Às Quartas, Letras Lavadas

 

 

 

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