23/02/2026, 9:10 h
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OS NOSSOS NO PARLAMENTO
Por Patrícia Nascimento (Deputada do Chega na AR e Deputada Municipal)
Paços de Ferreira inaugurou no domingo, 1 de fevereiro de 2026, um Serviço de Atendimento Permanente de Medicina Familiar e Enfermagem, gratuito para residentes, instalado num operador privado: o Hospital Lusíadas, no Ferrara Plaza.
Este ato político é relevante e não é pela gratuitidade (que é positiva). A ironia é outra: um executivo de matriz socialista, no quadro da descentralização de competências para as autarquias locais, cumpre a responsabilidade sublocando capacidade ao privado, enquanto no concelho existem edifícios públicos ligados à saúde (antigos hospitais), hoje ao abandono.
Se isto não é um teste às “bases do socialismo”, o que será?
Paços de Ferreira, na zona do Vale do Sousa, está do lado envelhecido da balança geracional. Com um índice de envelhecimento perto de 145 (mais de 65 anos por cada 100 jovens), é inevitável, no curto/médio prazo, uma maior procura por cuidados continuados, apoio domiciliário, centros de dia e ERPI. Por isso, não faz sentido manter património público associado à saúde parado, quando poderia ser reconvertido em ativos para a Câmara Municipal, respostas permanentes para a comunidade e até atrair famílias para o concelho.

Fica a sugestão para o executivo: reabilitação faseada dos edifícios existentes, a médio/longo prazo para não depender de soluções fáceis e “chave na mão”.
O socialismo, na sua matriz elementar, privilegia capacidade coletiva própria — infraestruturas, equipas e continuidade — sob controlo democrático, em vez de compras avulsas ao privado.
Acresce ainda a contradição: este executivo tem tradição de querer municipalizar tudo (co caso das creches), mas escolhe agora colocar a resposta “fora de horas” num hospital privado.
A ironia estende-se até Lisboa: a 28 de janeiro de 2026, na Assembleia da República, o PS votou contra uma proposta do partido Chega, sobre o reencaminhamento automático para o privado e social quando o SNS ultrapassa tempos máximos de resposta, precisamente para não fazer do privado uma muleta estrutural.
Podemos concluir: ou o socialismo já não é o que era, ou assume que dá menos trabalho político e organizacional recorrer ao privado.
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