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Gazeta Paços de Ferreira

25/04/2026, 8:57 h

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O delírio da omnipotência

Opinião Opinião Politica Partido Comunista CRISTIANO RIBEIRO

OPINIÃO POLÍTICA

Após o período de 19 a 23 de janeiro em que ocorreu Davos 2026, o Encontro Anual do Fórum Económico Mundial (sob o lema Um Espírito de Diálogo), o último episódio antes da publicação desta crónica que suscitou um profundo incómodo na inteligência e consciência mundiais foi a diatribe de Trump, o orangotango laranja, para com o Papa Leão XIV.

Por Cristiano Ribeiro (Médico e Militante do PCP)

 

O Papa foi apelidado de (cito) “terrível” , segundo Trump, “muito liberal”, “não está a fazer um bom trabalho”e “gosta de criminalidade”, só foi “eleito” por ser norte-americano” e para estreitar as relações entre os EUA e o Vaticano e “anda a bajular a esquerda radical”. o Chefe da Igreja Católica respondeu que o “Evangelho é claro”, que a Igreja tem a obrigação moral de ser contra a guerra e que (cito)” não tem medo do Governo de Trump”. 

 

Lamentou assim a guerra contra o Irão, e desejou a salvaguarda da soberania da Venezuela, condenando o sequestro de Nicolás Maduro, tal como no passado se opôs, ainda bispo americano, às medidas de deportação selvagem dos imigrantes no território. O Papa caracterizou brilhantemente e surpreendentemente a situação crítica atual como o DELÍRIO DA OMNIPOTÊNCIA.

 

Mais do que completa discordância e expressa antipatia entre duas personalidades, presente não em privado mas no espaço comunicacional, o que aqui temos é um governo auto proclamado o mais poderoso do mundo pretender ser juiz espiritual e moral num delírio perigoso e civilizacional. Trump aparece já como Jesus em imagem gerada  por Inteligência Artificial, em blasfémia para os católicos e propósito não negligenciável.

 

 

 

 

E quando Trump invoca o seu movimento MAGA (Make America Great Again) não está muito longe de assumir a narrativa bíblica dos Apóstolos, que o seguem. E assinalar um irmão do Papa como adepto do MAGA e não conforme as ideias papais identifica as linhas de demarcação da futura arquitetura mundial. Eu e os outros. Na família, no país, na diplomacia, na real politik. Quem o pára?

 

Há dirigentes europeus outrora “rastejantes” diante de Trump que levantam a voz perante a turbulência do tempo, que não esconde a decadência real dos EUA. Ousam assinalar as contradições, as violações do direito e da ética, os perigos. Em Portugal o silêncio é total. Rangel não existe. Nada dizer para não falhar.

 

 

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