25/04/2026, 8:52 h
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Desporto Opinião Pedro Queirós
DESPORTO
Por Pedro Queirós
Mas esta vitória começou a ser construída no jogo anterior, o derby eterno, que o Benfica venceu na casa do rival Sporting. A equipa de Rui Borges perdeu duplamente: estendeu a passadeira ao FC Porto na luta pelo título e deixou que o Benfica reentrasse na disputa pelo segundo lugar. O Sporting não venceu nenhum dos jogos grandes e perdeu mesmo as duas partidas em casa contra os rivais.
Este campeonato decidiu-se nos detalhes: o FC Porto foi praticamente irrepreensível nos mercados de transferências. No Verão, fez a revolução necessária e trouxe de tudo (juventude, técnica, pulmão, experiência) e ajustou em Janeiro (Moffi foi ao lado, mas Fofana é decisivo e Pietuszewski já ganhou a titularidade). Uma equipa em reconstrução consegue bem mais daquilo que se esperava.
Por sua vez, o Sporting foi prejudicado pelo timing de Gyokeres. Se sai ou não, quando sai… acaba por resolver muito bem a questão com a chegada de Suarez, mas faltou o restante. Pote está longe do que já foi, as alternativas para o meio campo são escassas (Bragança chegou tarde) e não há confiança na ala direita. Janeiro não ajudou. Saiu Alisson, que estava em crescendo, e chegaram Luís Guilherme e Faye, ainda sem convencer.

Já o Benfica está perto de conseguir a proeza de acabar o campeonato sem derrotas sem ser campeão. Os acidentes de percurso foram imagem de marca e estar na luta pelo segundo lugar até acaba por não ser mau quando se olha para trás e se percebe que a equipa não ganhou uma única vez ao Casa Pia. O Benfica tem um projeto que parece querer aproximar-se da vanguarda europeia sem sequer ter uma hegemonia interna. Os negócios de 30 milhões enchem os olhos e vendem jornais, mas não dão títulos. Não adianta criticar a direção e o rumo dos acontecimentos se na hora de meter a cruz, a grande maioria quis a continuidade. O plantel é desequilibrado e não serve as necessidades do clube, mas é mais benéfico apostar numa continuidade de um núcleo e fazer alguns ajustes do que operar mais uma revolução no próximo mercado de transferências.
Durante toda a segunda volta, cheirou a Ajax. Aliás, essa foi até a piada mais ouvida dos últimos tempos. Contudo, Farioli soube afastar os fantasmas e começa a sentir o leve cheiro da festa de campeão. Ainda não acabou, mas já tem uma mão na taça. E não deixa de ser curioso que uma equipa com a história e os ideais do FC Porto se apresente mais dominante fora de casa do que no Dragão.
Por muito bom trabalho que esteja a fazer o italiano em época de estreia e apesar de todo o passado de sucesso de Villas Boas, a vitória de hoje reafirma o estatuto de José Mourinho como o melhor treinador da história do FC Porto.
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