26/07/2026, 0:00 h
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OPINIÃO
Por Manuel Maia
Depois de ler o artigo da Dr.ª Ilda Figueiredo que transcrevi na integra aqui na Gazeta, em 18/Junho/2026, artigo que considero uma verdadeira lição de “Antropologia/Sociocultural, Economia e História”, telefonei-lhe, dei-lhe os parabéns pelo oportuno e excelente texto, e pedi-lhe autorização para tirar fotocópia e enviar para a Direcção Geral dos Serviços Prisionais. Ela agradeceu, autorizou e eu assim fiz, juntando ao artigo em epígrafe algumas palavras minhas, através das quais chamava a atenção para o estado degradante daquela Cadeia. Edifício histórico de estilo neoclássico, ao que julgo saber pensado e planeado durante a dinastia filipina, Sec. XVII, mas só concluído no século XVIII, mais precisamente em 1767.
Depois do meu telefonema para a Dr.ª Ilda Figueiredo decorridos alguns dias recebi, no Estabelecimento Prisional de Santa Cruz do Bispo, onde trabalhava, um telefonema desta ilustre Senhora convidando-me para uma reunião no seu Gabinete, na Câmara Municipal do Porto (CMP). No dia e hora marcada, compareci. Foi então que ouvi da sua boca a seguinte proposta: “E se formássemos uma Associação… Associação dos Amigos da Cadeia da Relação do Porto?” Obviamente que concordei e pedi-lhe directrizes. Ao que ela me respondeu: “Você arranja duas ou três personalidades ilustres do Porto e eu farei o mesmo”. Concordei e aprazamos nova reunião, para algum tempo depois, ali mesmo, no seu gabinete da CMP. A Doutora convidou o, então, Senhor Desembargador, Dr. Artur Costa, hoje, Juiz Conselheiro do STJ - Jubilado e outra alta individualidade cuja identidade não sei descrever. E eu convidei o Doutor José Eduardo de Lima Pinto da Costa, na altura Director do Instituto de Medicina Legal do Porto (IML) e outra ilustre personalidade que não sei precisar (não sei se foi o Jornalista Viale Moutinho, Presidente da Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto, se foi o escritor, Dr. Mário Cláudio ou outra alta individualidade). Lembro que tudo isto se passou em finais de 1996. Portanto, já lá vão 30 anos.

A primeira reunião foi, naturalmente, para nos apresentarmos mutuamente, trocar breves impressões e, obviamente, elogiar, louvar, enaltecer o objectivo da Dr.ª Ilda.
A segunda reunião foi já, para cada um de “per si”, apresentar propostas condicentes com o antigo funcionamento do Edifício.
Eu disse que gostaria de ver ali, na Cadeia de Relação do Porto, um “Museu das Cadeias”.
O Dr. Artur Costa contrapôs, dizendo: “Não, não meu amigo, aquele Edifício tanto é cadeia como é Tribunal, por isso se designa “Cadeia da Relação”. Está lá bem visível a “Sala de Audiências e Julgamentos”. Por isso, eu também quero um espaço para “Museu dos Tribunais”!
O Dr. J. E. Pinto da Costa ouviu-nos atentamente, deixou que gastássemos todas as munições (leia-se: argumentos) e do alto da sua indubitável sapiência, disse: “Não, não meus amigos, aqui quem decide se houve crime ou não, sou eu! Por isso, também quero instalar, ali, o “Museu de Medicina Legal”.
Todos tínhamos as nossas razões e, todas elas, plausíveis!
Nenhum de nós levou a sua avante, mas o mérito da Dr.ª Ilda Figueiredo, esse, ninguém lho tira!
(continua…)
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