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Gazeta Paços de Ferreira

06/09/2026, 0:00 h

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ASSOCIAÇÃO DOS AMIGOS DA CADEIA DA RELAÇÃO DO PORTO – (III)

Manuel Maia Opinião

OPINIÃO

Prosseguindo...

Por Manuel Maia

 

Depois de enviar a carta, para a Direcção Geral dos Serviços Prisionais (D.G.S.P), com fotocópia do texto da Dra. Ilda Figueiredo, intitulado: “Cadeia da Relação do Porto que Futuro?”, nessa carta dava conta do estado degradante daquele Monumento Histórico. Monumento, naquela altura, habitado por todo o tipo de “ratazana”. Não, não me refiro só aos mamíferos roedores, refiro-me também a outros mamíferos que, à falta de “sala de chuto”, chutavam ali mesmo, completamente às descaradas, sem o mínimo pudor ou vergonha. Chutavam e pernoitavam. Pernoitavam e satisfaziam todas as necessidades fisiológicas mais básicas. Não eram ratos-do-campo. Eram ratos-da-cidade. Ratos a viverem num dos mais bonitos palácios do Porto! Eu próprio me apercebi disso quando visitei o Pe. Armando Pereira, na Casa Sacerdotal da Diocese do Porto, à R. de São Bento da Vitória. Nessa mesma rua, lá ao fundo, frequentei um Curso de Psicologia. Esta rua ficava, precisamente, nas traseiras da Cadeia da Relação do Porto (C.R.P.). Um bom Psicólogo é sempre um bom observador. Aquele não é nada sem este atributo. De modo que, mesmo sem querer, eu era obrigado a “observar” o que não queria. A ver, demorando meu olhar sem pressa, naquela miséria. E, olhando e vendo, tentava descobrir o mistério daquela miséria.

 

Pois bem, voltando um pouca atrás, depois de esperar tempos infinitos por resposta da D.G.S.P. esgotei a paciência. E assim, quando me surgiu oportunidade de ir a Lisboa, dirigi-me, pessoalmente, à supracitada D.G. Em ali chegado, pedi para falar com a Secretária particular do Sr. Director-Geral. Perguntei se tinham recebido a referida carta. Que sim! E, agradecendo, em nome do Sr. Director Geral, tão grande empenho, acrescentou: - “a D.G.S.P. não tem dinheiro para executar tamanha obra e podemos garantir que nem o próprio Ministério da Justiça tem, pelo que tal empreendimento só pode ir por diante através do Orçamento do Estado”. Se não foram estas as palavras proferidas, foi este o sentido subjacente.

 

 

 

 

Não me foi difícil acreditar, pois conhecendo, presencialmente, mais de 40 dos 50 Estabelecimentos Prisionais (E.P.s) existentes, no continente e ilhas, e sabendo que alguns precisavam de obras urgentes, aceitei sem qualquer relutância. Basta dizer que a antiga Cadeia do Funchal, à R. 31 de Janeiro, funcionava num antigo armazém de obras de vime, todo em madeira excepto as paredes. Se houvesse um incêndio ia tudo pelos ares. Assustei-me quando o visitei nos anos “80”. Mas o novo, E.P., construído no Caniço, entre o Funchal e Sta. Cruz, é um luxo. Também o visitei, dias após sua inauguração.

 

Enfim, eu, “peso-mosca”, vá lá, “peso-leve”, desta Associação de Amigos, fiz a minha parte. Não duvido que a Dra. Ilda Figueiredo e o, então, Sr. Desembargador, Dr. Artur Costa, verdadeiros “pesos-pesados” do sistema jurídico/político tivessem feito a parte deles, mexendo seus cordelinhos, claro! Prova disso é que a obra se fez! E hoje aquilo que foi um verdadeiro cancro no coração do Porto é, de fato, um Monumento digno de ser visitado, admirado, enaltecido e os seus principais “obreiros”, repito, Dra. Ilda Figueiredo e Dr. Artur Costa, devem ser elevados, sem favor, a um grau de mérito mais alto.

 

 

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