21/02/2026, 0:00 h
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Opinião Política Onofre Varela Religião
OPINIÃO
Por Onofre Varela
As investigações mais sérias só foram encetadas cem anos depois de a Revolução Francesa (1789) ter aberto a porta ao livre pensamento com o advento do Iluminismo (1685-1815) e nos primeiros tempos a abordagem era dificultada pela profunda marca que o “sagrado religioso” gravou na mente dos fiéis. Os Evangelhos são textos que pretendem narrar feitos e atitudes de JC à luz do pensamento de quatro personalidades: Mateus, Marcos, Lucas e João, que teriam transmitido informações orais sobre JC, as quais, mais tarde, seriam registadas por terceiros através da escrita.
São textos que, se por um lado, poderão estar mergulhados em dúvidas e incertezas, por outro lado, neles podemos encontrar ensinamentos poderosos, dos quais destaco a frase “Amai-vos uns aos outros” (João: 13; 34). É um conceito comportamental que não é, apenas, cristão; também se encontra no Velho Testamento (Levítico: 19; 18). Se é verdade que a índole humana tem muita dificuldade em praticar este ensinamento, não é menos verdadeiro que nele se encontra tudo quanto é necessário para que a Humanidade seja um campo de paz, concórdia e ajuda mútua. Se tal fosse conseguido, transformaria o mundo inteiro no verdadeiro Paraíso que a mitologia religiosa nos apresenta como sendo o lugar perfeito para ser habitado por gente perfeita.
Como sempre acontece nas atitudes dos homens desonestos, os ensinamentos mais puros, com marca religiosa, são aproveitados para enganar o próximo. Este “engano propositado” quando é praticado em Política torna-se mais perigoso ainda, por poder infestar toda a sociedade quando os eleitores são incautos e se deixam enganar (veja-se o que está a acontecer nos EUA).
Entre nós, na extrema-direita do nosso espectro político-partidário, há a táctica de enganar eleitores recorrendo à fé em Deus e em JC. Na frase que dá título a esta crónica está contido o conceito de “servir sem excluir”, o qual é letra morta para o líder da direita extremada que assiste a missas e diz barbaridades como esta: “os pretos para África”, e ambiciona ser presidente da República… mas já garantiu que, sendo eleito, não o será de todos os Portugueses… porém, nos seus comícios já exibiu um crucifixo, e em entrevistas afirmou ter acabado de assistir a uma missa…
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“Servir sem excluir” é a atitude que se pretende de qualquer instituição de um governo democrático e social, e que deve ser exigida por todos os eleitores. Contrariar este fundamento e representar teatralmente uma “atitude cristã” que não se sente, tem um nome: é vigarice!
Podemos dizer que neste único mandamento de JC, que nos manda amar (respeitar) uns aos outros, está a inclusão contra a exclusão: o servir sem excluir e a aceitação do outro, e não a sua expulsão.
Atitudes puramente humanas, atribuídas ao ensinamento religioso mas tão contrariadas por políticos que, manifestando-se tão cristãos, têm atitudes imensamente contrárias aos seus discursos.
Por esse mundo fora também vemos atitudes idênticas em Trump e Putin (que seguem religiões diversas, mas ambas de moral cristã) e Netanyahu (que, sendo judeu, na teologia judaica também se observa o respeito ao próximo)… tudo letra morta para quem apenas quer o Poder pelo Poder, sem respeito algum pelo próximo… nem por si mesmos…
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