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Gazeta Paços de Ferreira

13/04/2023, 0:00 h

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A INFLAÇÃO E A VIDA

Opinião Opinião Politica Partido Comunista

OPINIÃO POLÍTICA

Quem vive de rendimentos, com base no salário ou da sua reforma ou pensão, interroga-se sobre razões ou enquadramentos económicos. Procura compreender.

 

A inflação aí está. “Comendo” salários e pensões, aumentando brutalmente o custo de vida. O preço dos bens alimentares e de serviços essenciais dispara. Comer está cada vez mais caro. Ter uma casa própria é para muitos missão impossível. Viver ou sobreviver com o mínimo de dignidade é luxo para uma parte significativa da população. O diagnóstico de uma tal emergência social no nosso País está feito. Porém tardam as medidas corretoras ou simplesmente as panaceias aliviadoras.

Quem vive de rendimentos, com base no salário ou da sua reforma ou pensão, interroga-se sobre razões ou enquadramentos económicos. Procura compreender. Fala-se muito da Guerra, das sanções e do preço de algumas matérias-primas. Mário Centeno, o Governador do Banco de Portugal, e que ganha 17.470 Euros/mês, disse: “A subida generalizada dos salários só alimenta o aumento de preços, e porquê? Porque se tivermos dinheiro suficiente para continuar a consumir os preços não vão descer. Com menos dinheiro, haverá um corte no consumo, o que pode obrigar a uma redução de preços. É essa a expectativa”. Mas será isso assim? O empobrecimento da população combate a subida de preços?

O economista Eugénio Rosa diz-nos: “A atual escalada de preços tem fundamentalmente duas causas. A primeira causa, resulta de tudo aquilo que o país importa (energia, cereais, produtos alimentares) devido à guerra, mas principalmente por causa das sanções que obrigou os países da U.E., e também o nosso país, a proibir as importações de mercados onde os preços são mais baixos, e a recorrer a mercados com preços mais altos, aumentando a procura nesses países o que determinou aumento de preços, empolados por intermediários (corretores) a que se adicionou custos de transporte mais elevados. Nos aumentos dos custos das importações de produtos agrícolas, alimentares e da energia entre 2021 e 2022, embora não estejam disponibilizadas pelo INE as quantidades importadas, é evidente que este aumento médio de 56,3% nos custos das importações destes três grupos produtos, cuja subida de preços é a principal causa do aumento da inflação anual em Portugal, se deve principalmente, não ao aumento das quantidade importadas, mas sim ao aumento significativo dos preços das importações.

A segunda causa é a de ser uma inflação pelos lucros devido à ausência de fiscalização que só recentemente, devido à pressão popular, tomou medidas que não resolvem o problema, já que são limitadas (até out.2023) mas recusando controlar as margens de lucro. É preciso ter a coragem de dizer que as sanções alimentam os especuladores, causam pobreza e agravam a crise económica e social. É preciso falar verdade aos portugueses”

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Havendo crescimento económico e folga orçamental das contas do Estado, o Zé interroga-se. A GALP obtém lucros recorde de 881 milhões de Euros. Os lucros da SONAE e da Jerónimo Martins nos primeiros 9 meses do ano de 2022 aumentaram mais de 30%. Os lucros da banca (BPI, Santander…) duplicaram. Os lucros das Seguradoras aumentaram 40%. E então? A Guerra e as sanções serviriam bem os grupos económicos… mas essa é só a diversão, ou melhor o pretexto para a espiral.

Deixemos de lado falaciosas teorias económicas. A inflação em 2022 foi de 7,8% mas em muitos produtos atingiu os 30% ou mais (legumes, ovos, óleos, azeites, carne, peixe, produtos lácteos). Importa portanto combater a inflação, controlando e reduzindo os preços de bem alimentares e de serviços essenciais. Aqui o governo hesitou, e os liberais estremunharam.

Importa definir um preço de referência, que envolva custos de produção (aumento de factores de produção), logística, armazenagem, margem de lucro regulada. Aqui o governo caminhou por fim para as acções fiscalizadoras da ASAE, á procura das ilegalidades e os liberais argumentaram com a ineficácia do controlo de preços. No meio o governo a contragosto apostou na isenção do IVA em certos produtos. E a gosto lá surgiu um arremedo de concertação e pedagogia com estruturas da produção e grandes retalhistas do comércio.   

Mas muitos doutos economistas não vêem que a subida geral de salários e das pensões parece ser essencial. Antes do afogamento geral.

Cristiano Ribeiro, Membro do PCP

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