11/09/2026, 10:02 h
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Educação Opinião ROSÁRIO ROCHA
EDUCAÇÃO
Por Rosário Rocha (Professora do AE Frazão)
Não tenho números exatos, mas tenho a perceção que neste ano letivo há mais alunos matriculados em Paços de Ferreira. Claro que alguns desses alunos são oriundos de famílias que foram chegando de outros países. Não haverá escola que não tenha já várias nacionalidades e isso começou a verificar-se nos últimos anos. Mas também é certo que temos muitos alunos matriculados dos concelhos vizinhos.
Eventuais motivos
Quem é residente em Paços de Ferreira e frequenta as suas escolas, tem direito a material escolar, manuais, transporte e refeições gratuitas. No final de um ano letivo a poupança efetiva por cada filho é considerável.
Quem é de fora do concelho, paga pelas refeições o que pagaria lá, não tem propriamente um aumento de gastos.
A Educação Pré- Escolar e o 1º ciclo têm edifícios relativamente novos, bastante funcionais e bem equipados. Neste ano letivo também as Escolas do 2º e 3º ciclo estarão finalmente renovadas.
A criação de uma rede de creches gratuitas no concelho facilitou a vida às famílias. Finalmente têm a possibilidade de ter quem cuide dos filhotes desde pequenos e sem custos. O que também se percebe é que muitas das crianças que frequentam as nossas creches são dos concelhos vizinhos.
As medidas enunciadas anteriormente contribuem certamente para que haja mais crianças a frequentar as nossas instituições e estabelecimentos de educação e de ensino.
Eventuais consequências
Ter uma rede de Educação e Ensino forte é uma necessidade e bom para o concelho. Contudo, há que prevenir eventuais problemas.
A vinda de famílias para o concelho exige a criação de algumas condições, nomeadamente a facilidade no acesso à habitação. Não está fácil arranjar habitação em Paços de Ferreira que seja acessível às famílias e que lhes permita ter uma habitabilidade razoável. É muito importante ter boas condições nas escolas, mas também nas famílias pois as dificuldades destas refletem-se imenso na escola.
É necessário saber apoiar as famílias imigrantes e ajudá-las a estabelecerem-se. Mas esta posição deve ser também tomada com as famílias locais. Atrevo-me a dizer que não é importante a quantidade mas a qualidade e quero com isto dizer que é necessário apoiar mas responsabilizar. Esta opinião tenho-a em relação ao Estado em geral. As famílias são ajudadas, recebem apoios, mas têm que ser responsabilizadas, sob a condição de perderem os apoios caso não cumpram o seu papel.

Há muito que digo que é necessário investir na educação e formação parental. Mas investir a sério, não com ações de faz de conta. Não é fácil, mas é urgente!!!
Uma consequência do aumento de alunos é a formação de turmas grandes. Neste momento acredito que a maioria das turmas estão fechadas, ou seja, não podem receber mais alunos. O que quer isso dizer? Se vierem mais alunos, o que vai acontecendo ao longo do ano, muitos deles vão ser deslocados para escolas de outras freguesias. Têm direito a frequentar a escola, mas não terão vaga onde querem. Isto já está a acontecer…
Com a implementação das creches nos Centros Escolares também os espaços estão quase todos ocupados e será difícil abrir mais turmas, pelo menos nas escolas mais centrais.
Eventualmente terá que ser criado mais um Centro Escolar, a ver vamos…
Potencialidades
Mais do que os constrangimentos, há que ver as potencialidades. É importante começar a monitorizar qual o percurso das crianças que frequentam as nossas creches, nomeadamente se ao saírem frequentarão os nossos estabelecimentos de educação e de ensino, ou se apenas vêm usufruir da creche gratuita.
Mas há uma situação muito importante: a frequência da creche desde tenra idade facilitará a entrada na Educação Pré- Escolar. As crianças terão já melhores hábitos de alimentação e a socialização feita. Terão rotinas estabelecidas e a adaptação à Educação Pré- Escolar será bem mais fácil, ou até normal. Daqui a 2 anos conseguiremos perceber se de facto tenho razão nesta minha perceção.
A diversidade de alunos que temos nas nossas escolas também é uma potencialidade. Experiências e potencialidades diferentes, poderão contribuir para uma evolução da Sociedade Pacense.
Anteriormente falei na necessidade de criar boas condições de habitabilidade para que as pessoas se fixem no concelho e criem uma cultura de pertença. Não interessará que Paços se torne dormitório do Porto, mas que tenha condições para que as pessoas vivam cá a sua vida e contribuam para a economia local, tornando Paços num concelho cada vez mais vivo e dinâmico. Residir e criar aqui os filhos; gostar de cá viver e perspetivar uma boa vida, será certamente uma esperança de que todos darão o melhor pelo que é seu!
Vamos lá aproveitar as potencialidades que temos e continuar a investir na Educação concelhia! A Educação continua a ser a base…
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