08/11/2026, 0:00 h
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Opinião Opinião Politica Política
OS NOSSOS NO PARLAMENTO
Por Patrícia Nascimento (Deputada do Chega na AR e Deputada Municipal)
Esta discussão obriga-nos a sermos justos e sérios sobre o tema da habitação. Durante o período da intervenção da troika em Portugal, atravessámos uma profunda crise económica, com consequências particularmente severas para o setor da construção civil. A quebra da atividade, o desemprego e a falta de investimento levaram muitos profissionais qualificados a procurar oportunidades no estrangeiro. Desde miúda que me lembro desta crise, o meu pai empresário, com os seus 53 anos, também ele teve de emigrar, lembro-me disso tudo, mas também me lembro do que antecedeu tudo isto… uma bancarrota!
A saída de trabalhadores nessa altura, foi de tal dimensão que surgiram inclusivamente oportunidades de criar empresas orientadas para arranjar oportunidades de trabalho em mercados estrangeiros, ainda temos um exemplo desse tipo de empresa no concelho. Nessa altura, perante a ausência de oportunidades, a emigração apresentou-se como uma alternativa para milhares de famílias. Trabalhadores que tinham adquirido experiência e competências em Portugal passaram a contribuir para o desenvolvimento económico de outros países.
Devemos refletir que consequências teve essa perda de recursos humanos para a capacidade produtiva nacional. Ainda hoje se sente em áreas críticas, como a saúde, a educação, a construção civil.
E, devemos sobretudo também sermos sérios e pensar, o que fizemos nos anos seguintes para inverter essa situação no nosso país.
Vejo muitas opiniões vindas principalmente da esquerda, a falar e criticar o governo, mas em dois anos não se constrói um prédio ou uma vivenda… só para licenciar vai meio ano.
É aqui que importa discutir responsabilidade política, política sim! Porque a crise de hoje, é resultado de medidas que se tomaram ou não no passado… são elas que traçam o caminho de um país, na retenção de talento e acima de tudo na capacidade de fazer regressar os emigrantes portugueses que tiveram de sair. Em massa. No Instituto de Registos e Notariado, foram 20 anos sem contratar ninguém, não querendo defender este governo mas tenho de o fazer, porque como referi inicialmente a discussão merece ser justa, foram eles que o fizeram agora, em Paços de Ferreira, o atraso para registar uma casa é de 6 meses, temos duas funcionárias.

Admito, que sempre me fez confusão a hipocrisia política no nosso país, e agora que estou na política ainda me faz mais, o Partido Socialista, que governou durante grande parte da última década, acha que não tem culpa e que a culpa é de uma lei que ainda nem está em vigor, aliás ainda está em discussão no parlamento, em 8 anos não houve tempo para desenvolver políticas de formação, qualificação e valorização profissional que permitissem recuperar a capacidade do setor da construção e preparar o país para uma nova fase de crescimento?! Mas o único crescimento que houve, foi mesmo o do número de imigrantes em Portugal, que também veio ajudar a esta crise a muitas outras.
Mas chegando ao ponto atual, a resposta política tem-se concentrado numa ideia aparentemente simples, mas demorada: é preciso construir mais casas.
Certo, e é, sem dúvida. Mas é preciso mais que isso.
Num momento em que assistimos a um crescimento da atividade da construção, e Paços de Ferreira é prova disso, como é possível aumentar tanto a construção e mesmo assim, continuar a ter uma grave carência habitacional? Basta que as novas casas não correspondam às necessidades, à localização ou ao poder de compra da população.
E aqui existe outra questão, que considero que também poderia ter sido acautelada para ajudar a este problema, uma rede de transportes forte em Portugal, que consequentemente ajudaria na coesão territorial do nosso país.
Talvez o maior desafio que tenhamos pela frente, é perceber que caminho queremos para Portugal, e com isso planear e desenvolver uma visão integrada para o país.
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