11/07/2026, 9:51 h
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OPINIÃO
Por Ricardo Jorge Neto
No início, os jogadores não usavam números. E se estão a pensar como os árbitros sabiam quem já tinha sido admoestado com cartão ou quem seria substituído? Não se preocupem! Se os números não foram utilizados durante anos, a possibilidade de realizar substituições e a existência dos cartões amarelos e vermelhos surgiram muitos anos depois dos números, tendo o Mundial de 1970, no México, consagrado a aplicação oficial destas medidas pela FIFA.
Já a ideia dos números surgiu bem antes devido ao crescimento do futebol em Inglaterra, que obrigou a aumentar o tamanho dos estádios. Com estádios maiores, os adeptos e os relatores de rádio ficaram mais longe do relvado, agravando a dificuldade em identificar jogadores. Então, nos anos 20 do século passado, começou a surgir a ideia de colocar números nas costas dos jogadores. Uma excelente ideia que não era bem vista por muitos jogadores, que olhavam para esta medida como uma identificação ao estilo das numerações dos presos. Apesar disso, a ideia avançou.
O primeiro jogo oficial com jogadores numerados deu-se na final da Taça de Inglaterra de 1933, opondo o Everton FC e o Manchester City. Curiosamente, alguns dias antes nascia o SC Freamunde, que equipa de igual aos azuis da cidade de Liverpool. Nessa partida, o Everton utilizou os números de 1 a 11, e o City de 12 a 22. Na época seguinte, os campeonatos ingleses adoptaram a numeração.

A medida tornou-se oficial em 1950, no Campeonato do Mundo do Brasil. Foi nesse mundial que os autores da numeração, a Inglaterra, se estrearam na prova após fazer as pazes com a FIFA, obtendo uma famosa e humilhante derrota por 1-0 contra os Estados Unidos. A equipa americana era composta por amadores, e a grande figura do jogo foi o guarda-redes Frank Borghi, que conduzia carros fúnebres para ganhar a vida.
A partir deste campeonato do mundo, os números nas camisolas tornaram-se uma normalidade, e com o passar do tempo estes tornaram-se marcas para os jogadores, como a marca CR7, devido ao número 7 de Cristiano Ronaldo. Este número foi aconselhado por Alex Ferguson, que acreditando no seu talento, o demoveu de usar o número 28, que usara no Sporting, para optar pelo 7, que tinha sido envergado por Best, Cantona e Beckham.
Mas se, neste caso, o jovem Ronaldo aceitou facilmente, em 1998, quando o Inter contratou Roberto Baggio, o drama dos números e marcas originou um grande imbróglio. No ano antes, o outro Ronaldo (R9) tinha chegado ao Inter, e como o Zamorano era o 9, ele aceitou ficar com o 10. Contudo, quando o ídolo italiano Roberto Baggio chegou, ele exigiu a camisola 10… e instalou-se a confusão! E tudo se resolveu, porque o chileno aceitou dar o 9 a Ronaldo, e este cedeu o 10 a Baggio. Por fim, Zamorano pediu para si o 18, com uma pequena peculiaridade: exigiu um sinal + para que nas costas exibisse o número: 1+8…
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