24/01/2026, 0:00 h
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OPINIÃO
Por Ricardo Jorge Neto
Bem-vindos a 2026! Para início de ano, proponho espreitar uma obra de ficção científica, na qual se imaginava a realidade de hoje.
Iniciemos a viagem, recuando até 1925, num mundo que se preparava para entrar numa das maiores crises civilizacionais de sempre.
Apresento-vos Thea von Harbou, escritora e cineasta alemã, que escreveu nesse ano o argumento do filme Metrópolis, para o seu marido e cineasta, o austríaco Fritz Lang.
O filme, símbolo do expressionismo alemão, estreou em 1927 e tornou-se num ícone do cinema, projetando um futuro longínquo de uma sociedade avançada, que vivia em 2026.
Na projecção de Thea von Harbou, a sociedade estava dividida em duas classes.
A elite poderosa e governante, que vive em arranha-céus, e uma outra, que vive no submundo, onde trabalhadores operam grandes máquinas, que fazem a cidade de Metrópolis funcionar.
A trama conduz-nos a um episódio de amor, entre Freder, o filho dono de Metrópolis, e Maria, a representante dos trabalhadores, que ansiava pela vinda dum mediador que unisse as duas classes.
Após Freder se apaixonar por Maria, este toma conhecimento da vida dura e difícil dos trabalhadores, e a partir daí pretenderá ser o mediador entre os trabalhadores e as elites; contudo, este panorama de verdadeira concertação social, será quebrado pelo surgimento duma máquina, um humanoide construído à semelhança de Maria.
Este famoso robot, que inspirou o C-3PO do filme Star Wars, irá instalar a discórdia e o ódio entre os trabalhadores, afastando as pretensões de harmonia e paz social, lançando o caos!

Agora regressemos, ao verdadeiro 2026!
A nossa sociedade não é exactamente igual à imagem criada por Thea, contudo há aspectos que são perigosamente similares. Uma sociedade dividida entre elites e trabalhadores pobres, e a criação duma máquina, para lançar a divisão e a desordem, que apenas beneficia quem mais poder tem…
Tenha a sensação que acertou nestes pontos. A nossa sociedade caminha para um aumento do fosso entre ricos e pobres, e também é verdadeiro que se criou uma ‘’máquina’’, chamada redes sociais, onde se explora e fomenta a mentira e a divisão, para que todos atentem contras os valores humanos e democráticos!
A ficção não alcançou a realidade, mas Thea von Harbou não esteve longe de acertar!
Por fim, um último apontamento, apesar de Thea ter escrito Metrópolis com um forte pendor para a social-democracia, com a convivência salutar entre classes, para a melhoria de todos, anos mais tarde, ela deixar-se-á levar pelo discurso antagónico do nazismo.
Filiou-se no partido Nazi, e quando Hitler chegou ao poder, emprestou o seu talento à propaganda nazi. No final da guerra, foi detida!
Em 2026, peço que tenhamos consciência do caminho que estamos a seguir, e que todos os democratas se mantenham firmes, e não se deixem endemoniar pela ‘’máquina’’, porque um dia a História nos irá julgar por termos caído no mesmo erro!
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