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Gazeta Paços de Ferreira

20/09/2026, 0:00 h

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Extrema-direita é solução?

Joaquim Leal Opinião

OPINIÃO

"Os maus exemplos multiplicam-se, mas, mesmo assim, o povo vota no monstro. E porquê?"

Por Joaquim António Leal

 

À hora a que escrevo, decorrem eleições na Saxónia (Alemanha), e tudo leva a crer que a extrema-direita, nazi-fascista, vai obter a maioria. Interrogo-me sobre o que leva um povo que sofreu e foi responsável por uma Grande Guerra, com milhões de mortos dentro e fora das suas fronteiras, a repetir um erro histórico de eleger um nazi.

 

Sabe-se que todos os partidos radicais de direita (Hitler foi um deles) usaram a mentira como método, o ódio como combustível e os imigrantes como argumento de insegurança, ao mesmo tempo que repetiam exaustivamente a ideia de que iam acabar com a corrupção, embora o que se veio a verificar foi que eles eram os piores.

 

Um bom exemplo é Milei, na Argentina, que com ar alucinado conseguiu chegar a presidente. Resultado? Está a conduzir o país à ruína, a reduzir os apoios sociais e a aumentar drasticamente o número de pobres no país.

 

Os maus exemplos multiplicam-se, mas, mesmo assim, o povo vota no monstro. E porquê?

 

Alguns dizem que se trata de votantes mentalmente debilitados, desinformados, insensíveis, más pessoas, mas isso não nos leva ao cerne da questão. Porque a verdadeira questão é: porque escolhem os eleitores um partido extremista, em detrimento dos partidos que tradicionalmente têm assegurado a governação?

 

 

 

 

Sem esquecer os mal-intencionados (que os há, e muitos, nestas aglomerações radicais), temos de admitir que os votantes não são maioritariamente néscios, inocentes, seres irracionais. O que eles querem é um país onde possam viver com alguma qualidade e em paz.

 

Assim, tal como qualquer náufrago, que se agarra a um graveto que esteja à superfície, na esperança de se salvar, também estes eleitores votam em qualquer mentira que diga o que querem ouvir.

 

Ora, com a guerra na Ucrânia, a União Europeia desatou a aplicar sanções económicas à Rússia a qualquer preço, e uma das primeiras medidas consistiu em proibir todos os Estados-membros de lhe comprarem o gás e o petróleo.

 

Quanto ao gás, as compras maiores passaram a ser feitas aos Estados Unidos ao triplo do preço que o adquiriam aos russos; e o petróleo seguiu o mesmo caminho.

 

Agora, com a guerra dos Estados Unidos contra o Irão, estamos sem opções para a aquisição de combustíveis e, como consequência, as matérias-primas sobem e a Alemanha entra em crise, com fábricas a fechar, empregos a desaparecerem, apoios à saúde e educação a encurtarem. E ainda por cima, o chanceler alemão demonstra uma certa vontade de iniciar uma guerra em larga escala contra a Rússia, o que o povo alemão não deseja seguramente.

 

Estará a salvação das nações em partidos radicais como o AFD e seus congéneres? Certamente que não, mas são os partidos democráticos que têm de alterar a sua postura, ou o radicalismo continuará a germinar.

 

 

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