A Música Rock em Figueiró: Homenagem a Reflexo 1982-2023 (II)

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Como se chega então a este tributo?

Por Paulo Gomes

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O motivo que está na base de tudo é celebrar o lançamento do single “O Homem Progresso”, um acontecimento invulgar na região. Há um espólio extenso de canções, há muita gente formada na escola de música, há uma parte da população, que tem boa memória dos tempos e outros, mais novos, que têm curiosidade de conhecer o trabalho de dois históricos do rock. Há um património importante que merece ser preservado.

 

 

Sabendo isto, a Junta da Freguesia de Figueiró teve a ideia, em boa hora, de organizar um tributo em que as bandas seriam constituídas por ex. alunos, que, livremente, reinterpretariam as canções criadas pelos mestres.

 

 

A proposta foi apresentada aos homenageados Hercílio e Zetó Santos, que, simpaticamente, se disponibilizaram para fornecer música e letra de canções, que pudessem, no seu todo, ser representativas do acervo que tinham criado.

 

 

O passo seguinte era contactar músicos dispostos a embarcar na aventura. A resposta foi pronta e favorável. Constituíram-se seis grupos, todos com a já referida particularidade de ter no seu seio músicos com ligação à escola, embora os grupos não tivessem exclusivamente ex. alunos. Nova reunião para conhecer e distribuir as canções, marcar datas, acertar pormenores.

 

 

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Começam os ensaios, o entusiasmo sobe à medida que o trabalho se desenvolve. Percebe-se que há matéria-prima de qualidade e há imaginação e talento a rodos nos grupos que se apresentarão ao público. O projeto é também apresentado à Câmara Municipal, que o acolhe com entusiasmo e garante o seu imprescindível apoio.

 

 

A data, dado o grande número de músicos envolvidos e o desenrolar dos ensaios, vai sofrendo alterações até se chegar ao consenso do dia 28 de outubro. O local só podia ser o Salão Paroquial, que foi, em tempos, sala de ensaio e de espetáculos dos “Reflexo” e dos projetos que se seguiram. A paróquia, como é hábito, generosamente, cede o espaço.

 

 

Como uma arte provoca outra arte, pensou-se no cenário e em como seria interessante reproduzir a pintura da capa. Para este trabalho, e seguindo a linha de ligações, nada melhor que lançar o desafio ao Pedro Medeiros, pintor e sobrinho da Rosa Vasconcelos, que concebeu a capa original do single. O Pedro aceita a missão com entusiasmo e, além de reproduzir à mão a capa do disco, faz dois retratos dos homenageados, mostrando todo o seu talento e a sua generosidade.

 

 

Figueiró é arte.

 

 

É feita a divulgação do evento pelos canais habituais, contratado o som, luz e vídeo. Tudo estava a postos para o grande dia.

 

 

Chegados ao dia, crescia a ansiedade, que foi atenuada com o jantar convívio oferecido pela Junta aos homenageados e aos participantes no tributo.

 

 

O evento começa com habitual atraso (há tradições que não se perdem), e o público enche o espaço, apesar da chuva intensa que se verifica. Inicia-se com leitura de uma notícia da época no “Comércio do Porto”, que dá nota da edição do vinil, e uma proclamação escrita por Hercílio Andrade.

 

 

 

 

O concerto propriamente dito começa com a declamação por Paulo Gomes do tema Retrato, face B do single, com arranjo musical de Pedro Raúl.

 

 

O primeiro dos grupos conta com Paulo Neto, Alexandre Reguenga, Eugénio Cruz e Diana Reguenga que cumprem com distinção a responsabilidade de abrir caminho aos seguintes, interpretando os temas “Ao Sabor de Outros Tempos”, “Feitiço e Inferno”.

 

 

Segue-se o grupo da Sílvia Gomes, Angélica Neves, Daniel Gonçalves, José Afonso, Leonor Azevedo e Bruno Bessa, que deram novas cores aos temas “Portas do Silêncio” e “Lua Cheia”.

 

 

O também histórico Mingas, junto com José Alberto Matos, Marcelo Gomes e José Afonso são quem se segue para recordar “Leva-me Contigo” e “Dentro do Peito”.

 

 

“Oração” e “A vida Vai Mal (Ó Sr. Da Loja)” são alvo do talento e engenho da dupla Castro (João Martins) e João Santos que transportam canções, originalmente de cariz tradicional, para um universo electrónico.

 

 

“Retrato” volta a ser ouvida de forma intimista pela voz de Paulo Peixoto com a boa companhia do virtuoso Edi na Guitarra Elétrica.

 

 

 

 

O Final do concerto aproximava-se e, pela terceira vez, sobe a palco José Afonso, filho do homenageado ZeTó Santos, com os seus companheiros Rui Azevedo, Pedro Raúl, Fred e Adriano Pacheco.

 

 

O rock invade o Paroquial com os temas “Não Tenho Tempo”, “Morro Por um Triz” e o muito esperado “Homem Progresso”, numa apoteótica actuação, que, depois do poderoso vocalista Rui Azevedo convocar os homenageados e todos os intervenientes no tributo a palco, foi cantado o refrão em uníssono com o público, num espírito, que emocionou todos quantos assistiram.

 

 

Por fim houve palavras de agradecimento por parte dos celebrados ZeTó e Hercílio e a certeza de que, há ainda muito para descobrir, e que não se esgotou neste tributo as possibilidades de trabalhar este filão.

 

 

Assim seja!

 


 

 

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