16/06/2026, 10:01 h
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Destaque Opinião António Colaço
OPINIÃO
A política de Donald Trump, ao ameaçar o Irão e sugerir Cuba como próximo alvo de intervenção, torna-se objeto de análise quanto às suas práticas políticas, personalidade e reações.
De há uns tempos para cá Trump, simbolizando EUA, materializa ameaças que se veem espalhadas pelo mundo, como os casos de Gronelândia e de Venezuela, os choques com os vizinhos - Canada e México e de um modo geral, a toda uma gama de países, culminando com a invasão ou ameaçando países soberanos. O cidadão mundial vive assim numa permanente instabilidade emocional à medida desses acontecimentos.
Por sua vez, a imprensa e os comentadores, parecem estar mais empenhados no mero relato das intervenções belicistas e acompanhar os seus patrocinadores, sem ir ao fundo das questões, evitando uma aprofundada crítica a estes desmandos, marginalizando as verdadeiras razões que subjazem a estas práticas que põem o mundo de ‘pernas para o ar’.
Numa vertente diversa, Trump não se cansa de menosprezar instituições internacionais de prestígio como a ONU ou o TPI, a OMS, a UNESCO, o Acordo de Paris sobre o Clima entre outras, chegando mesmo a insultar a figura do Papa, a quem considera como ‘alinhado com a criminalidade’. No plano Interno do seu país, após ter incentivado a ‘tomada de Capitólio’ desencadeou um procedimento assaz implicativo contra as universidades como Harvard, Princeton e Columbia, retirando-lhes subvenções por não se politizarem à sua maneira. Sob o lema de MAGA – tem vindo a rapinar paulatinamente riquezas alheias, como o petróleo de Venezuela ou as terras raras da Ucrânia, ou a projetada”Riviera de Gaza”, estando já preparados os planos de reconstrução patrocinados pelo genro Jared Kushner.
Há quem diga que que Donald Trump é louco. Apesar dos serviços oficiais da presidência o darem como ‘apto’, a verdade é que do lado Republicano reina a preocupação pelas suas atitudes erráticas. E ….a verdade é que opiniões de especialistas em neurologia qualificam-no como sendo um ‘doente mental perigoso’ (especialistas reunidos na Universidade de Yale); ou como sofrendo de ‘um transtorno de personalidade, que dando origem a um narcisismo psicológico, considerando-se como o melhor e acima de todos’ (John Gartner – antigo professor da Universidade de John Hopkins). Já se aventa mesmo quanto a aplicação da 25ª Emenda da Constituição americana.
Talvez aqui resida a razão porque troça e insinua impropérios contra Macron; chama uma jornalista de ‘porquinha’, insulta os responsáveis da EU, sinalizando-os como propulsores de um ‘declínio civilizacional’, qualifica os Democratas americanos de ‘lunáticos de esquerda radical’; renomeia o maior centro cultural de N.York Trump-Kennedy Center (anteriormente apenas Kennedy Centre); intitula o Golfo de Ormuz – Golfo Trump; apela ao boicote de concertos de Bruce Springsteen e vocifera que irá reduzir Irão à Idade de Pedra.
Estamos em pleno séc. XXI. De um modo generalizado as Nações se têm organizado no sentido de desenvolvimento das suas mais variadas estruturas, com primazia à esfera económica, visando o progresso e o bem-estar das suas populações. São propósitos incompatíveis com a destruição de economias, de bens culturais ou de infraestruturas, de que depende a correspondente identidade nacional.
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Ora, este propósito, pressupõe o acatamento pelas regras do direito internacional e o respeito mútuo de soberania identitária. Pensar o contrário é um procedimento “anti-natura”. Longe vai o tempo em que se defendia que o desentendimento entre povos se resolvia pela guerra; hoje não, dada a maioridade pensante do homem contemporâneo que sabe socorrer-se do diálogo na busca de soluções para os problemas da sociedade humana.
Assumido o poderio económico/militar dos EUA, fica por apurar em que assenta e qual o alcance do lema MAGA lançado pelo TRUMP e que lhe deu a vitória eleitoral. Não é seguramente destruindo ou pilhando outros países.
No entanto, por conveniência, por compadrio ou simplesmente por receio, a ação deste senhor tem vindo a beneficiar de reverente tolerância da grande maioria de políticos, amparando-lhe o seu quase permanente formato de soberba postura, de imposições unilaterais de menosprezo, de intervenções atentatórias do direito internacional, senão mesmo de ética que deve nortear as relações entre as Nações e os povos. Num certo sentido essa passividade corre o risco de se confundir com cumplicidade.
A corrente gerada por Donald Trump – o Trumpismo – tem dado origem a procedimentos musculados como a prática xenófoba e assassina da estrutura policial ICE ou o aproveitamento por países como Israel para incrementar conflitos genocidas - com a agravante de vir a potenciar ações futuras e consequente impunidade.
Não devemos temer os megalómanos desde que não extrapolem os efeitos perniciosos das suas manias. Mas se tal não acontecer, há que afastá-los do convívio humano. Derrotar e pôr termo ao Trumpismo, pelo que se tem revelado, é a tarefa humanitária que de momento se impõe.
Cabe aos países amantes da liberdade e de democracia, através dos seus representantes, manifestar por ações concretas, demarcando-se e contrariando esta corrente chauvinista, sem complacência, derrotando e neutralizando-a quanto aos seus efeitos. Só assim se poderá contribuir decisivamente para o retorno â política tão almejada de consenso e de paz entre os povos.
Lx. 17.Abril. 2026
Antonio Bernardo Colaço, Juiz STJ, Jubilado
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