30/11/2025, 16:16 h
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Poema de Natal
Se hoje fosse Natal…
Se hoje fosse Natal,
o céu desceria devagar,
como quem se inclina para ouvir
o sussurro de uma casa silenciosa.
As ruas não precisariam de luzes,
porque cada rosto, mesmo cansado,
acender-se-ia por dentro
com a infância que nunca morre.
Se hoje fosse Natal,
as portas abririam sem esforço,
como páginas de um livro antigo
onde Deus escreve com ternura
as linhas tortas do nosso dia.
Haveria gestos simples —
um telefonema que se adia,
um perdão que se guarda,
um abraço que a rotina esquece —
e cada um deles, pequeno,
seria um milagre doméstico.
Se hoje fosse Natal,
talvez percebêssemos
que a manjedoura caberia em nós:
um espaço pobre,
um silêncio aberto,
um desejo de recomeço.
E Cristo, mais uma vez,
nasceria onde menos esperamos:
no cansaço do professor,
na pressa do trabalhador,
no medo escondido do coração,
na esperança teimosa de quem acredita
que a luz é sempre possível.
Se hoje fosse Natal…
quem sabe a paz não seria notícia,
mas hábito;
e o mundo não seria perfeito,
mas visitado.
E nós, apenas isso:
visitados por Deus.
Sérgio Carvalho
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