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Gazeta Paços de Ferreira

04/07/2026, 9:51 h

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REGIONALIZAÇÃO: O DEBATE ADIADO QUE PRECISAMOS DE RETOMAR

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OPINIÃO POLÍTICA

Passaram-se mais de duas décadas desde o referendo de 8 de novembro de 1998. Na altura, o “Não” venceu com 60,87% e as regiões administrativas ficaram na gaveta. Contudo, o país de hoje já não é o mesmo — mas o centralismo, esse, continua a asfixiar o desenvolvimento local.

Por João Pavão (Militante da Juventude Socialista de Paços de Ferreira)

 

Apesar do desfecho desse escrutínio, a regionalização permanece um imperativo constitucional por cumprir e uma necessidade estratégica que não podemos adiar, sob pena de condenarmos o Norte e o interior a uma permanente perda de competitividade.

 

Portugal continua a ser um dos Estados mais centralizados da União Europeia. As assimetrias persistem e agravam-se: decisões, recursos e investimento concentram‑se no litoral e nas áreas metropolitanas. Para concelhos como Paços de Ferreira — motor industrial reconhecido como a “Capital do Móvel” —, esta realidade sente‑se no dia a dia. As nossas empresas e famílias enfrentam políticas públicas desenhadas a centenas de quilómetros, muitas vezes sem atender à nossa especificidade produtiva, às nossas escolas, à saúde ou às acessibilidades.

 

É tempo de reabrir este debate com serenidade e responsabilidade, envolvendo também as gerações mais jovens, que nunca foram chamadas a pronunciar‑se. Hoje existem estruturas regionais, como as CCDR, mas falta-lhes o mais importante: legitimidade democrática direta, uma vez que não são eleitas pelos cidadãos. Uma verdadeira regionalização permitiria que as decisões fossem tomadas por quem conhece o território, encurtando distâncias, ganhando agilidade e reduzindo a dependência crónica do Terreiro do Paço.

 

 

 

 

Não se trata de dividir o país, nem de criar mais despesa. Trata‑se de gerir melhor, com mais transparência e proximidade.

 

Falamos de distribuir os fundos de forma equitativa, de ajustar os transportes às necessidades reais das populações, de alinhar a formação profissional com o tecido empresarial e de garantir que a saúde responde a quem cá vive e trabalha.

 

O modelo pode e deve ser discutido. O que não podemos aceitar é o imobilismo. Valorizar a identidade regional é reforçar a coesão nacional. Promover um desenvolvimento equilibrado é garantir que o futuro não fica refém de uma visão excessivamente centralista.

 

A regionalização não é um capricho político; é uma escolha sobre o país que queremos edificar. Um Portugal onde cada região conta, participa e decide. Um país muito mais próximo das pessoas.

 

 

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