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Gazeta Paços de Ferreira

07/11/2026, 10:37 h

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Quem perde, e como perde

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OPINIÃO POLÍTICA

Duas derrotas recentes dizem mais sobre a democracia do que muitas vitórias.

Por Tiago Silva (Membro do Comissão Concelhia de Paços de Ferreira do Partido Socialista)

 

Em abril, Viktor Orbán perdeu o poder na Hungria, após 16 anos, e reconheceu o resultado. Em outubro, Flávio Bolsonaro perdeu para Lula por cerca de 51,8% contra 48,2% e, em vez de aceitar, proclamou-se presidente eleito numa carta e recuou logo a seguir. Foi parar aos Estados Unidos.

 

Para mim, a diferença é o essencial. Quem promete respeitar as urnas e foge quando perde mostra que o respeito era condicional. Nem o próprio Partido Liberal o acompanhou, pois reconheceu a vitória de Lula.

 

 

 

 

Mas não nos podemos iludir deste lado do Atlântico. Na Alemanha, a AfD lidera sondagens com 28%, e em França o candidato do Rassemblement National domina a primeira volta para 2027. Brasília e Budapeste ensinam que a direita radical é derrotável, não que esteja derrotada.

 

E em Portugal? As próximas legislativas estão previstas para 2029, mas não é garantido que lá cheguemos sem sobressaltos. Em julho, uma sondagem da Intercampus colocava o PS na frente, com AD e Chega em empate técnico pelo segundo lugar. Budapeste e Brasília mostraram que a extrema-direita pode ser afastada do poder quando os eleitores se mobilizam e acreditam nisso.

 

 

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