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Gazeta Paços de Ferreira

15/02/2026, 0:00 h

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Quando tudo treme, a solidariedade levanta-nos

Opinião Opinião Politica Partido Social Democrata

OPINIÃO POLÍTICA

Os acontecimentos recentes que afetaram várias cidades e tantas pessoas lembraram-nos, de forma dura, da nossa vulnerabilidade coletiva.

Por Célia Carneiro (Presidente de Mulheres Social Democratas de Paços de Ferreira)

 

Em poucas horas, a normalidade foi interrompida e a incerteza instalou-se. A segurança deu lugar à incerteza e muitas famílias viram-se confrontadas com perdas materiais e emocionais.

 

Nestes momentos, percebemos que nenhuma sociedade é verdadeiramente resiliente se não for profundamente humana. Mais uma vez, foi a solidariedade que fez a diferença. Vimos vizinhos a apoiar vizinhos, voluntários a mobilizarem-se de imediato, associações locais, autarquias e serviços públicos a responderem com empenho e proximidade.

 

Gestos simples, muitas vezes anónimos, que têm um impacto profundo na vida de quem mais precisa. Que mostram que a solidariedade continua a ser um dos pilares mais fortes da nossa comunidade.

 

A empatia não resolve todos os problemas, mas sustém pessoas. E sustém comunidades. Mas precisa de se transformar em ação estruturada e duradoura. É aqui que a dimensão comunitária e política se torna essencial.

 

Comunidades fortes não nascem por acaso; constroem-se com investimento público, com políticas de proximidade, com planeamento, prevenção e redes locais capazes de responder antes, durante e depois da crise.

 

 

 

 

Também as  mulheres assumiram, uma vez mais, um papel central nesta resposta. No cuidado direto, na organização local, no apoio informal a crianças, idosos e famílias fragilizadas. Um contributo essencial, frequentemente invisível, mas determinante para a resiliência das comunidades.

 

A social-democracia defende precisamente esta ideia de sociedade: uma comunidade onde ninguém fica sozinho quando tudo falha, onde a resposta coletiva é organizada, humana e justa. Mas esta visão não se concretiza apenas em momentos excecionais.

 

Exige participação, responsabilidade e envolvimento cívico contínuo. Este é, por isso, um apelo claro: fortalecer o associativismo local, apoiar o voluntariado, participar na vida cívica e exigir políticas públicas que coloquem as pessoas no centro, que reforcem a prevenção, o cuidado e a proximidade.

 

A solidariedade não pode ser apenas uma reação à crise; deve ser uma escolha permanente. A empatia é o ponto de partida. A ação comunitária e política é o caminho para transformar a solidariedade num valor permanente.

 

Quando tudo treme, não basta sentir. É preciso agir. É a entreajuda que nos levanta. Cabe-nos garantir que este espírito não se perde quando a urgência passa, mas se transforma numa força duradoura para uma sociedade mais justa, mais próxima e mais humana.

 

 

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