16/06/2026, 14:26 h
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OPINIÃO
O que fizemos 9 anos depois do incendio de Pedrogão?
Desde 1863 com a abolição da lei do morgadio, a propriedade rural tem sido retalhada em parcelas menores, agora economicamente inviáveis. A lei do morgadio determinava que os grandes domínios rurais e senhoriais eram indivisíveis e inalienáveis. O património não era partilhado entre todos os herdeiros, sendo transmitido na totalidade ao filho mais velho.
Dependemos da natureza que nos fornece oxigénio e água, mas não pensamos sequer em valorizar essa natureza sem a destruir, através duma estratégia em que as zonas urbanas, e não os proprietários da terra, paguem zonas verdes conservadas que acabem com os grandes fogos rurais.
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Agora quem paga a limpeza duma pequena bouça no meio do monte? Um corta fogo amplo capaz de facilitar o combate aos fogos devia ser uma fonte de rendimento para o proprietário do terreno, e não uma simples perda da sua capacidade produtiva. Que vantagem tem um proprietário duma bela mata de carvalhos, se não os derrubar para vender a madeira?
Se não alteráramos a lei sucessória, e impedimos novos milhares de terrenos economicamente inviáveis sejam autenticas bombas relógio, se não recompensamos os donos de paisagens naturais limpas e seguras (através dum eco saldo que recompense os proprietários), se não criamos mosaicos diversificados com espécies florestais diferentes, que esperamos que aconteça?
Um grande problema não se resolve insistindo na manutenção duma estratégia falhada, nem despejando dinheiro no combate aos fogos, em vez de os prevenir.
José Cavalheiro
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