20/06/2026, 0:00 h
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Desporto Opinião Pedro Queirós
DESPORTO
Por Pedro Queirós
Na primeira edição, no Uruguai, estiveram presentes 13 seleções. Um número ímpar de participantes porque o Egito não conseguiu apanhar o barco a tempo e acabou por desistir. Várias seleções europeias nem se inscreveram pela distância até ao Uruguai e porque o futebol não era profissional e tinham que pedir autorização para faltar ao trabalho, que não era fácil e até acabou por deixar o melhor jogador francês da altura, Manuel Anatol, de fora.
Os tempos eram outros e a Inglaterra, inventora do jogo, não participou por se considerar superior aos adversários.
Atualmente, em pleno sec. XXI, e quase cem anos depois, tivemos duas edições consecutivas em países cujo cumprimento dos direitos humanos são questionáveis (para ser simpático), na Rússia e no Qatar.
Qual a melhor forma de dar a volta a esta má imagem? Aumentar o número de participantes para 48, de modo a dar um rebuçado a seleções, cujas oportunidades de participação eram, até então, reduzidas e entregar a sede ao México, Estados Unidos e Canadá.
Se pelo lado mexicano, a história se engrandece pela paixão pelo futebol e pelo terceiro mundial em que há jogos no Estádio Azteca, palco da mítica “Mão de Deus” de Diego Maradona; o mesmo não se pode dizer dos seus companheiros de organização, principalmente pelos Estados Unidos.
Um país que nem chama “futebol” ao futebol, tem nas mãos a mais importante competição do mundo e o seu presidente gere a coisa como bem lhe apetece.

Ora então, por razões de segurança nacional, o atual melhor árbitro africano, Omar Artan, da Somália, foi impedido de entrar no país e fica de fora da competição. Tudo porque a Somália é um dos vários países cujas viagens para os Estados Unidos são proibidas.
Devido à guerra com o Irão, a seleção iraniana vai ter de se instalar no México, apesar de fazer os três jogos da fase de grupos em solo americano. Terá de fazer sempre a viagem de ida e volta para o México, porque foi impedida de instalar a sua base nos Estados Unidos.
Quanto aos adeptos, foram revogados os bilhetes a que tinham direito para assistir aos jogos.
Caso idêntico acontece com o Haiti. Grande parte da população está proibida de viajar para os Estados Unidos devido a políticas migratórias rígidas. Os haitianos foram também obrigados a mudar o design das suas camisolas por, supostamente, as originais incluírem elementos com cunho político e, por isso, proibidos.
Também o Canadá impediu a entrada de Thomas Partey, do Gana, por ter acusações por violação. O médio vai falhar o primeiro jogo.
A FIFA já reagiu publicamente e admitiu não poder influenciar as políticas de imigração dos países anfitriões. Mas não esqueçamos que é a mesma FIFA que entregou um “Prémio da Paz” a Donald Trump e, como já se percebeu, é cada vez mais um organismo cujas escolhas para sediar competições passa por critérios pouco rigorosos.
Em 2030, em mais uma decisão para alegrar todos e garantir mais uns votos, o mundial terá (???…).
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