01/08/2026, 10:26 h
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Educação Opinião Opinião Politica Juventude Socialista
OPINIÃO
Por Catarina Matos (Presidente da Juventude Socialista de Paços de Ferreira)
Enquanto o Ministério da Educação tentava projetar uma imagem de modernidade com a digitalização dos Exames Nacionais, o resultado foi um sistema instável que transformou meses de preparação num processo desgastante e incerto. Como podemos exigir rigor aos estudantes quando o próprio Estado entrega a avaliação do seu futuro ao amadorismo?
Inovar não é apenas substituir o papel pelo ecrã; é garantir uma infraestrutura capaz de suportar as expectativas de uma geração. O colapso operacional foi evidente: provas mal digitalizadas, plataformas inacessíveis e um calendário empurrado até ao limite, prejudicando os prazos da 2.ª fase e do Concurso Nacional de Acesso. Para quem decide o seu percurso, este estrangulamento provocado pelo Ministério é um obstáculo direto à igualdade de oportunidades.

A maior afronta reside na barreira financeira para corrigir estes erros. É certo que a taxa de 25 euros para a reapreciação de provas é devolvida caso a nota aumente, mas não deixa de ser profundamente imoral exigir que um estudante avance dinheiro para corrigir falhas de digitalização ou notas incompreensíveis causadas pelo próprio sistema.
Não há inovação sem responsabilidade. Um Governo que não garante a leitura correta de uma folha de exame perde a autoridade moral para falar de exigência. Perante a quebra de confiança, a única resposta ética seria um pedido de desculpas público e a assunção de responsabilidades políticas. O futuro do país não pode continuar refém da incompetência de quem o governa.
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