02/07/2026, 10:12 h
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Destaque Partido Social Democrata
Miguel Pereira, líder do PSD, em entrevista
Gazeta: O que o levou, pessoalmente, a aceitar o desafio de liderar a Comissão Política do PSD de Paços de Ferreira?
Miguel Pereira: Aceitei liderar o PSD porque sou pai, sou filho desta terra e recuso-me a deixar um concelho estagnado para os meus filhos. A política também pode ser feita por pessoas do povo, sem fatos e gravata, com sapatilhas nos pés prontas a percorrer cada rua do nosso concelho, a resolver os problemas do dia a dia, mas ao mesmo tempo a projetar o futuro, com ideias e projetos arrojados e inovadores, que acrescentem valor. Sinto uma enorme vontade de contribuir para que os nossos filhos vivam, cresçam e se fixem num concelho pojante e diferenciado, como Paços de Ferreira tem todas as condições para o ser.
G: Qual foi o momento em que percebeu que queria ter um papel mais ativo na política local?
MP: Não consigo identificar o momento em que isso aconteceu. Nunca fiz nada premeditado. Em tudo o que me envolvo, faço-o de forma genuína e desprendida de qualquer interesse ou circunstância. É assim na minha vida pessoal e familiar, na minha vida profissional, nas minhas atividades associativas e também o é na política, onde em 2014 assumi a liderança da JSD e tenho desde aí assumido um papel mais ativo na vida política do nosso concelho. Por isso é que muitas vezes me faz confusão ouvir os mesmos discursos, as mesmas desculpas, ano após ano.
G: Que percurso pessoal e político o trouxe até aqui?
MP: O meu percurso pessoal é igual à da generalidade dos pacenses. Cresci atrás de um balcão no café dos meus avós, num contexto familiar em que nada nos foi dado, onde tive o exemplo de um pai e de uma mãe que sempre se fizeram à vida, com muito sacrifício e suor. Aprendi muitos dos valores que hoje transmito aos meus filhos no ceio de algumas das associações da nossa terra. Sou licenciado em Geografia, com especialização em políticas de ordenamento do território. Sou um genuíno filho deste nosso concelho e com um enorme orgulho em dizê-lo e a marcar esse estatuto onde quer que vá ou esteja.
G: Tem alguma história que recorde da sua infância que o ligue ao nosso concelho?
MP: Existem várias, contudo, tenho memórias de um episódio muito concreto e que creio, ser transversal a muitos colegas meus daquela altura. As noites em que ficava sozinho em casa com a minha mãe, porque o meu pai ou tinha saído cedo para levar “obra”, ou porque ainda não tinha chegado. Olhava para aquilo que acontecia na minha casa, ouvia isso de outros colegas e fui percebendo o valor que tinha ter nascido na terra dos móveis, na Capital do Móvel. Recordo-me da azafama que eram os dias anteriores à abertura da feira da Capital do Móvel em casa, uma vez que o meu pai passava muito do tempo a montar o stand de venda. A correria pelos bilhetes para podermos durante o fim de semana ir visitar. Tudo boas memórias e que de facto marcaram a minha infância. E, este é um daqueles sentimentos, que os homens e mulheres que ergueram a Capital do Móvel merecem que seja recuperado. A devolução da Feira da Capital do Móvel à nossa terra, deve ser uma prioridade, para que estas memórias que eu e muitos de nós recordam, possam ser arrastados de geração em geração.
G: O que mais o motiva nesta nova etapa da sua vida política?
MP: A minha história não é a de alguém que caiu aqui e agora de paraquedas. É a de quem conhece o pulsar de cada freguesia, de quem vai ao terreno, que gosta genuinamente do contacto. Para o bem e para o mal. Sei o que custa gerir um negócio ou criar um filho num concelho que tem tudo para ser gigante, mas que se tem contentado em ser mediano. Acredito que Paços de Ferreira merece ser muito mais do que aquilo a que se tem resignado nos últimos anos. Onde as más notícias sobre a nossa terra preenchem mais páginas nos jornais do que as boas.
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