28/03/2026, 9:58 h
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Opinião Opinião Politica Partido Comunista CRISTIANO RIBEIRO
OPINIÃO POLÍTICA
Por Cristiano Ribeiro (Médico e Militante do PCP)
Para além da solidariedade devida às vítimas e populações afetadas, exige-se trabalho de apoio e recuperação, mobilização dos meios necessários, recuperação de habitações, equipamentos e infraestruturas. Exige o PCP na AR apoios para as autarquias de 750 milhões de euros, para as Infra - Estruturas de Portugal de 600 milhões de euros, 20.000 euros para recuperação de cada habitação. Muitas outras medidas são necessárias.
Portugal viu danificadas seriamente as suas estradas. Entre outros materiais, o asfalto tornou-se essencial para as reparações. Portugal tem 20 mil quilómetros de estradas municipais, 10 mil quilómetros de estradas nacionais e regionais e mais 3 mil quilómetros de autoestradas. Tinha UMA refinaria que produzia asfalto. UMA. Era a Refinaria de Matosinhos. Mas a Refinaria pertencia à Galp, que foi privatizada e oferecida à família Amorim e a mais um conjunto de capitalistas.

E em 2021 os acionistas da Galp decidiram que lhes era mais rentável encerrar a Refinaria do que mantê-la a funcionar. Um crime económico e social, disseram os trabalhadores e disse o PCP. Não que a Refinaria desse prejuízo, antes pelo contrário, era lucrativa. Mas podiam ganhar mais dinheiro especulando com os terrenos, especulando com as licenças de carbono, capturando fundos públicos para novos investimentos na zona. E escolheram o caminho que era melhor para eles. Hoje precisamos de reparar estradas destruídas — mas o asfalto tem de vir de fora.
O Governo de então, em vez de os travar, aplaudiu a decisão. Todo o consenso neoliberal, do Chega, ao PS, passando por PSD, CDS e IL, aplaudiu a decisão. Houve um simulacro de oposição, com António Costa nas autárquicas de 2025 , mas perante os DDT`S (donos disto tudo) meteu a viola no saco. Alguns até fingiram que era muito melhor para o ambiente importar os produtos da refinaria que produzi-los cá, Agora dependemos de importar o que antes produzíamos cá — mais caro, mais lento e com mais dependência externa. Alguns, como a família Amorim, enriqueceram. O país ficou mais pobre.
Passaram cinco anos. A Galp continua a lucrar centenas de milhões de euros ao ano. Agora até prepara uma parceria com a antiga CEPSA, que tem refinarias que produzem asfalto em Espanha. Atrás do aparelho produtivo deslocalizado vai-se o trabalho qualificado. Atrás deste vão os trabalhadores qualificados. O perfil produtivo empobrece. É um ciclo vicioso que produz alguns ricos mas à custa do país. É tempo de mudar de rumo.
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