31/01/2026, 11:08 h
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Opinião Opinião Politica Partido Comunista CRISTIANO RIBEIRO
OPINIÃO POLÍTICA
Por Cristiano Ribeiro (Médico e Militante do PCP)
As empresas desviam lucros para paraísos fiscais, pagando menos IRC, enquanto trabalhadores e pequenas empresas acabam a suportar mais impostos. Apesar da taxa mínima de 15% para grandes multinacionais, o impacto continua a crescer. Uma realidade que custa caro ao país.
Segundo o Observatório Fiscal da União Europeia, o nosso país tem 40% do Produto Interno Bruto parqueado em paraísos fiscais - cerca de 115,8 mil milhões de euros. .
Encontra-se entre aqueles que, percentualmente, têm mais riqueza colocada em offshores.
A média mundial da percentagem de riqueza parqueada em offshores é de 12%, com cerca de 11 biliões de euros situados em paraísos fiscais.
Taiwan e o Qatar lideram o ranking, com 100% e 90% do PIB atualmente parqueado em offshores. A Grécia ocupa a terceira posição, com 82%, seguida da Arábia Saudita, com 52% do PIB, e do Reino Unido e Portugal, cada um com 40% do PIB.
Segundo o documento, tanto “a localização como a origem da riqueza offshore mudaram nas últimas duas décadas. A fronteira entre os diferentes centros financeiros pode ser difusa — por exemplo, riqueza gerida por banqueiros em Zurique pode estar registada numa subsidiária em Singapura — pelo que os resultados não devem ser sobre-interpretados. No entanto, surgem várias conclusões interessantes.

Em primeiro lugar, uma fração crescente da riqueza offshore global parece estar a ser gerida no Reino Unido e em centros financeiros asiáticos, sendo os mais notáveis Hong Kong e Singapura. Como resultado, a quota dos centros financeiros asiáticos aumentou de 19% para 37% nas últimas duas décadas.
Em segundo lugar, uma fração menor é agora gerida na Suíça, historicamente o epicentro da gestão de riqueza offshore. Antes da crise financeira de 2008–2009, quase metade da riqueza offshore global era gerida na Suíça; hoje essa quota desceu para 22%. A quota dos centros financeiros americanos aumentou ligeiramente, de 9% em 2001 para 13% em 2023.
A nível individual, Hong Kong e o Reino Unido destacam-se, pois aumentaram as suas quotas na riqueza offshore global gerida para 20% em 2023, partindo de 4% e 8%, respetivamente, em 2001. As quotas de Singapura e dos Estados Unidos cresceram de 7% para 10% e de 2% para 10%, respetivamente.
A geografia da riqueza offshore deslocou-se da Suíça para centros financeiros asiáticos — liderados por Hong Kong e Singapura — bem como para o Reino Unido e, em menor medida, para os Estados Unidos.
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