19/04/2026, 0:00 h
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OPINIÃO
Por Artur Costa (Juiz-Conselheiro jubilado, ex-cronista do JN)
Com o território completamente devastado e transformado em ruínas, os palestinianos vivem em condições infra-humanas, abrigados em tendas e sujeitos aos caprichos atmosféricos, no meio da lama e do pó, sem condições mínimas de salubridade e de acesso aos bens mais básicos, individuais e colectivos.
Por sobre isso, as autoridades israelitas continuam a restringir a entrada de ajuda humanitária e as Forças de Defesa de Israel (IDF) vão matando palestinianos entre os que sobreviveram aos massacres da guerra. Desde o suposto “cessar fogo”, já foram abatidos largas dezenas, que somam aos que vão morrendo por subnutrição, por doenças não tratadas e por debilidades físicas contraídas durante as hostilidades.
Talvez assim Gaza fique completamente livre para a construção da fantástica Riviera imaginada por Trump e acolhida como uma bênção pelos ultras do governo israelita.
Também a Cisjordânia, onde vive a outra parte do povo palestiniano, vai sendo ocupada pelos colonatos judaicos e o seu povo espoliado e encurralado numa acção clara de expansão progressiva, que concretizará o sonho dos judeus ortodoxos da Grande Israel.

Agora os palestinianos têm sido relegados para um limbo ou para o esquecimento total por força da “fúria épica” desencadeada pela dupla “Trump & Netanyahu” no Irão, aproveitada pelo sócio israelita do norte-americano para dizimar e ocupar também o sul do Líbano, fazendo deste uma outra Gaza.
Nem todos os israelitas, porém, vivem de consciência tranquila com esta realidade, porque nem todos corresponderão ao padrão perverso dos Netanyahu, dos Ben Gvir, dos Smotrish, etc.
Em nome dos israelitas decentes, permitam-me que cite o grande escritor David Grossman, autor de “Um Cavalo Entra Num Bar” (prémio Man Booker International). Diz ele que os ultra-ortodoxos transformaram o Estado de Israel “numa realidade violenta, grosseira, infecta”, em que “a religião se envolve e prende como uma hera venenosa à política”. E que Israel “tem de curar-se da doença de minoria perseguida”, sendo, pelo contrário, actualmente, uma maioria que “ocupa outro povo e o priva de liberdade”, interrogando-se sobre se um Estado ocupante pode ser considerado uma democracia (in “Coração Pensante- Ensaios Sobre Israel E A Palestina” – D. Quixote).
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