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Gazeta Paços de Ferreira

04/07/2026, 9:46 h

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Economia da Atenção

Opinião Opinião Politica

OPINIÃO POLÍTICA

O "brainrot" tornou-se uma palavra comum para os mais jovens. A expressão descreve o consumo incessante de vídeos curtos e conteúdos descartáveis que deixam a mente constantemente à procura do próximo estímulo. Mas o brainrot não é a doença. É apenas um sintoma de um problema maior: uma economia construída para capturar a nossa atenção.

Por Filipe Rodrigues Fonseca (Engenheiro Informático e Dirigente do Livre Vale do Sousa)

 

As grandes plataformas digitais não competem apenas pelo nosso dinheiro. Competem, acima de tudo, pelo nosso tempo. Cada minuto passado a deslizar o dedo no ecrã significa mais publicidade visualizada, mais dados recolhidos e mais receitas. Não é por acaso que as aplicações são desenhadas para dificultar a saída: notificações, reprodução automática, recomendações infinitas e algoritmos que aprendem, em tempo real, aquilo que nos prende. 

 

Este modelo de negócio tem uma consequência que vai muito além do tempo perdido. Quem decide o que aparece nos nossos ecrãs influencia inevitavelmente o que discutimos, aquilo com que nos indignamos e até os temas que dominam o espaço público. Quando um pequeno número de empresas determina os conteúdos que chegam diariamente a milhares de milhões de pessoas, ganha também um poder sem precedentes para moldar o debate público. 

 

 

 

 

Mas talvez o maior custo desta economia da atenção seja outro, mais silencioso. Cada hora passada a consumir conteúdos é uma hora que deixa de ser investida na construção de relações humanas. Há menos tempo para o café com amigos, para o clube desportivo, para a associação local, para o voluntariado, para a cultura ou, simplesmente, para conversar sem interrupções. Perdemos hábitos que sempre foram essenciais para criar confiança, sentido de pertença e comunidades fortes. 

 

E comunidades fortes são o alicerce de uma democracia saudável. É nelas que aprendemos a ouvir quem pensa diferente, a cooperar, a resolver conflitos e a participar na vida coletiva. Quando estas ligações enfraquecem, sobra mais espaço para o isolamento, para a polarização e para um debate público reduzido ao ritmo frenético dos algoritmos, com as suas respetivas bolhas. 

 

Não precisamos de demonizar a tecnologia, nem de sonhar com um regresso a um mundo sem telemóveis. Precisamos, isso sim, de recuperar o equilíbrio. Porque o verdadeiro oposto do vício digital não é desligar o ecrã. É voltar a pertencer a uma comunidade. No fim, a melhor resposta à economia da atenção talvez não seja passar menos tempo online, mas criar mais razões para querer estar, verdadeiramente, presentes uns com os outros.

 

 

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