02/09/2026, 7:15 h
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OPINIAO
Em Paredes de Coura Sergio Godinho mostrou que a canção de intervenção continua a fazer eco em muitos corações. Com 81 anos, a voz do cantor não é um eco do passado, antes um grito atual dos que se preocupam com o futuro; e porque “ Só há liberdade a sério quando houver A paz, o pão habitação saúde, educação” pergunto-me se num país onde muita gente nem sequer consegue pagar renda de casa decente, onde “ Vi-te a trabalhar o dia inteiro construir as cidades pr´ós outros carregar pedras, desperdiçar muita força p´ra pouco dinheiro” continua tão atual como há quarenta anos, não haverá espaço e necessidade para que a canção continue a ser um poderosos catalisador dos avanços da sociedade.
E se Ana Lua Caiano nos diz que “Casa abandonada no meio da rua não é favor
De homens tão quentes De homens doentes Que nem sentem dor” e Capicua “É muito lucrativo que o mundo tenha medo….Medo da verdade, da cidade e do apocalipse, … O medo de abrir a boca e do terrorismo”, não deixa de ser necessário que “Com um brilhozinho nos olhos Metemos o carro Muito à frente, muito à frente dos bois”.
Em tempo de tentativas de normalização do retrocesso civilizacional, aqui fica um apelo aos novos criadores de poesia e música, porque” A cantiga é uma arma,
…Tudo depende da bala, E da pontaria…O faduncho choradinho de tabernas e salões, Semeia só desalento, misticismo e ilusões”
José Cavalheiro
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