Por
Gazeta Paços de Ferreira

24/08/2023, 0:00 h

559

Apoiar SIM, mas assim NÃO.

Destaque Editorial

EDITORIAL

Por estas razões, entendemos que o Estado Português, ao apoiar a Jornada Mundial da Juventude, não viola, em tese geral, o princípio constitucional de separação do Estado e das Igrejas.

Alvaro Neto

A Jornada Mundial da Juventude tem suscitado, naturalmente, críticas da mais diversa ordem.

 

A primeira prende-se com o princípio constitucional de separação entre o Estado e as Igrejas.

 

De acordo com este princípio, tal como não compete ao Estado e instituições públicas, promover e organizar cerimónias religiosas, também não lhes compete construir equipamentos de culto.

 

Um segundo tipo de críticas diz respeito aos sumptuosos gastos pelo Estado e pelas autarquias nessas obras.

 

 

Naturalmente, a laicidade do Estado não é entendida por todos de igual forma.

 

Entendemos que o ideal laico deve considerar-se como um ideal de tolerância, para permitir que as religiões possam existir e conviver, de forma pacífica, cabendo ao Estado garantir que nenhuma delas seja discriminada e que nenhum cidadão seja prejudicado pelas suas convicções e práticas religiosas.

 

Assim, o Estado laico salvaguarda a autonomia do poder civil em relação ao religioso. Garante a liberdade de consciência e de religião.

 

Salientamos a tolerância religiosa e de consciência, incluindo a tolerância para os que não seguem religião alguma.

 

Reconhecemos que a religião e as suas práticas podem ser um espaço de referência ética e um refúgio de organização espiritual imprescindíveis para a felicidade de muitas pessoas.

 

Por estas razões, entendemos que o Estado Português, ao apoiar a Jornada Mundial da Juventude, não viola, em tese geral, o princípio constitucional de separação do Estado e das Igrejas.

 

 

Já o nosso entendimento é radicalmente diverso quanto à forma e aos termos desse apoio, nomeadamente quanto aos sumptuários gastos que esse apoio tem revestido.

 

Aqui o Estado e as autarquias excederam a decência do admissível.

 

Tomaram claramente uma opção visando ganhos políticos nacionais e internacionais.

 

Recorde-se que este é o mesmo Estado e as mesmas autarquias que assistem impávidos e serenos ao colapso de muitos serviços públicos, e se mostram mudos e surdos quanto às sérias dificuldades com que se debatem diariamente milhares de portugueses.

 

E estas opções também têm os seus custos, que, mais dia menos dia, terão de ser pagos. 

 

ASSINE GAZETA DE PAÇOS DE FERREIRA       

Opinião

Opinião

“Dar mais vida às coisas para dar mais vida à vida”

13/06/2024

Opinião

A ‘REPARAÇÃO’ ÀS EX-COLÓNIAS

12/06/2024

Opinião

REPARAR EM VEZ DE SUBSTITUIR PARA UM RADIOSO DEVIR

11/06/2024

Opinião

PORTUGAL NA VANGUARDA DA MOBILIDADE SUSTENTÁVEL

9/06/2024