02/11/2026, 11:17 h
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Opinião Politica Partido Socialista Política
OS NOSSOS NO PARLAMENTO
Por Humberto Brito (Deputado à Assembleia da República pelo Partido Socialista)
Durante décadas, acreditamos que trabalhar era o caminho mais seguro para uma vida melhor. Que o esforço, a dedicação e o mérito permitiriam comprar uma casa, constituir família e proporcionar aos filhos mais oportunidades. Hoje, essa promessa está a ser perigosamente quebrada. Há portugueses que trabalham todos os dias e, apesar disso, vivem permanentemente no limite das suas possibilidades. Com o governo da AD estamos a assistir ao aparecimento de uma nova pobreza: uma pobreza que acorda cedo, cumpre horários, paga impostos e chega ao fim do mês sem dinheiro. Quando o trabalho deixa de assegurar dignidade, estamos perante uma profunda injustiça social.
Em Paços de Ferreira conhecemos bem o valor do trabalho. Somos uma terra de empresários e trabalhadores que construíram uma economia industrial reconhecida internacionalmente. Mas também conhecemos o paradoxo de produzir riqueza sem que essa riqueza se traduza em melhores condições de vida. Quantos jovens continuam em casa dos pais porque não conseguem pagar uma habitação? Quantas famílias precisam de dois salários para assegurar despesas essenciais? Uma sociedade que exige cada vez mais esforço às pessoas e lhes oferece cada vez menos segurança está a comprometer o seu futuro.

O Governo da AD apresenta o Orçamento do Estado para 2027 anunciando crescimento económico e benefícios fiscais. Mas a pergunta essencial permanece: quanto dessa prosperidade chegará efetivamente às famílias? Não basta anunciar indicadores económicos favoráveis para alguns quando a habitação consome uma parte esmagadora dos rendimentos e os salários continuam insuficientes. Precisamos de melhores salários, mais habitação pública e serviços públicos que garantam igualdade de oportunidades. Não basta que Portugal cresça. É preciso que todos os portugueses cresçam com ele e não apenas uma pequena parte.
Quando trabalhar deixa de garantir uma vida digna, a confiança na democracia começa a enfraquecer e os populismos ganham terreno. E quando os jovens, apesar de mais qualificados, têm menos possibilidades de construir uma vida autónoma do que os seus pais, alguma coisa está profundamente errada. A política não pode resignar-se a administrar esta realidade. Tem a obrigação de a transformar. Porque o maior fracasso de uma geração política será deixar aos nossos filhos um país onde tenham de trabalhar mais para viver pior.
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