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Gazeta Paços de Ferreira

20/11/2023, 0:00 h

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A Música Rock em Figueiró

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Homenagem a Reflexo 1982-2023 (I)

No sábado, 28 de outubro, a Junta da Freguesia de Figueiró prestou homenagem a Hercílio Andrade e ZeTó Santos, fundadores da banda rock “Reflexo”, que, em 1982, editou o single “O Homem Progresso”.

Por Paulo Gomes

CULTURA

 

 

Recuemos então até aos efervescentes anos 80 do século passado.

 

 

Hercílio Andrade e ZeTó Santos, músicos Figueiroenses autodidatas, formam a banda rock “Reflexo”. A eles juntam-se Quim Morais e Tony Fontão e é com esta formação que gravam em vinil o referido single: na face A está o tema que dá nome ao disco e na face B o tema Retrato, ambos com letra de ZeTó Santos e arranjos do grupo.

 

 

A capa exibe uma pintura da Rosa Vasconcelos, também de Figueiró, que assina com pseudónimo.

 

 

O país vive na ressaca do 25 de Abril de 1974 e na música vive-se também uma revolução com as edições de Chico Fininho de Rui Veloso e “Cavalos de Corrida” dos UHF. Dá-se assim início “oficialmente” ao “Boom” do rock cantado em português.

 

 

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Por todo lado, surgem bandas e as editoras começam a ter interesse no movimento e todas querem gravar os novos grupos, que são do agrado, principalmente, da juventude.

 

 

É neste contexto, reivindicativo, mas também de desilusão, que são feitas as canções do Reflexo como “Vida em Silêncio”, “Oração”, “Viagem”, entre outras, e que surge a edição do single o “Homem Progresso”, e, com isto, colocam a sua terra alinhada com o que se passava no resto do país, neste capítulo.

 

 

É o primeiro trabalho editado em vinil no concelho na área de rock, e, talvez, também nas regiões mais próximas.

 

 

Mas as dificuldades são muitas para vingar, especialmente, para quem não vive na capital. A edição é de autor e os discos são vendidos pelos próprios.

 

 

ZeTó Santos é chamado ao serviço militar obrigatório (que na época foi responsável pelo fim de muitas bandas) e aproveita a “oportunidade” de estar próximo de Lisboa para mostrar o single a editoras.

 

 

Há interesse em editar, mas o facto de o contrato contemplar uma comparticipação financeira por parte da banda, de metade dos custos de produção, leva a divergências no grupo, que termina mesmo na passagem de ano 82/83.

 

 

 

 

 

Extinto o GRR (Grupo Rock Reflexo), não acabou a viagem musical dos seus integrantes de Figueiró, que já sabiam do gosto das gentes da sua terra pela música que faziam, manifestado aquando dos sempre abarrotados concertos no Salão Paroquial de Figueiró.

 

 

Acompanhando, mais uma vez, uma tendência nacional, viram-se agora para a música com inspiração tradicional portuguesa e criam o grupo “Pano de Fundo”. Deste novo projeto continuam a fazer parte o Zé e o Hercílio, a que se juntam o Paco Cunha, o Mingas e outros que ocasionalmente vão colaborar, pois o grupo não tem propriamente uma formação “fixa”.

 

 

Os temas mais conhecidos são “Ao Sabor de Outros Tempos”, “Não Tenho Tempo”, “Dentro do Peito”, “Feitiço”, entre outros, sempre com letra e música de ZeTó. Não há edições, mas há concertos e vai aumentando o espólio de canções.

 

 

Há depois projetos posteriores como “Mingas e Tio Cilo” (Hercílio Andrade), “Madre Pérola” (ZeTó e Ana Carvalho) e “Graças e Louvores”. “Os Graças” são o vocalista Luís Marinho, o ZeTó Santos na guitarra, o Joaquim Martins no baixo, o Jorge Nautílio na bateria e o Tito no saxofone. Estamos já nos anos 90 e o som é mais produzido e de melhor qualidade, mas o espírito é o mesmo, assim como a escrita de parte das canções continua entregue a ZeTó Santos.

 

 

“Era Noite”, “Portas do Silêncio”, “Morro por um Triz” são temas que entram no ouvido e são ouvidos em bares e concursos de música e também no palco das Sebastianas, numa noitada de sexta, quando a organização dava vez a projetos do género, o que infelizmente se perdeu.

 

 

Paralelamente António José (ZeTó Santos) faz estudos em música, no Porto e em Guimarães (em alguns períodos nas duas cidades simultaneamente) e cria, mais tarde, uma escola de música em Figueiró, terra onde nasceu e sempre viveu.

 

 

A decisão de enveredar pelo ensino acontece depois da constatação de que, para singrar na música enquanto integrante de bandas, o obrigaria a sair para Lisboa, coisa que até quem vivia no Porto tinha necessidade de fazer, e isso contrariava o seu propósito de se manter na terra onde nasceu. A escola que fundou era, naqueles tempos, única do género e nela estudaram muitos que hoje têm na música a sua única ocupação profissional.


 

 

 

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