31/01/2026, 10:08 h
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Desporto Opinião Pedro Queirós
DESPORTO
Por Pedro Queirós
Para começar, esta foi a sétima edição consecutiva a não se realizar no local ou período previstos inicialmente. A edição disputou-se em Marrocos, o que está certo, mas supostamente seria em Junho e Julho do ano passado, até Gianni Infantino decidir que esses meses seriam para o Mundial de Clubes e passar a CAN para Dezembro e Janeiro.
Depois, já com a competição em andamento, mais do mesmo: as famosas danças na bancada; camisolas icónicas; a primeira vitória de sempre de Moçambique e… Michel Mboladingq. O congolês que ficou viral por ver todos os jogos da sua seleção de pé, em modo estátua, para homenagear Patrice Lumumba, herói da independência do país. Algo só visto na CAN, onde as bancadas são um festival de manifestação cultural africano.
Chegamos à final. Marrocos, anfitrião e favorito, ainda mais depois de ter eliminado a Nigéria, joga com o Senegal. Já antes do apito inicial, o Senegal apresentou queixa por falta de segurança e privacidade no hotel, dificuldade no transporte e interferência nos treinos.
No jogo, as queixas atingiram o pico quando, primeiro, o Senegal marca o 1-0 já perto do final, mas o árbitro assinala uma falta antes da bola entrar na baliza e, assim, perde a oportunidade de rever o lance no VAR. No lance seguinte, assinala penalti a favor de Marrocos.

O selecionador do Senegal pede, de imediato, para que os seus jogadores saiam do campo. Só Sadio Mané ficou e foi o responsável pelo regresso dos seus colegas. O Senegal voltou e o jogo recomeçou com o penalti. Em caso de conversão, o jogo terminaria e Marrocos seria campeão. Brahim Diaz, de longe o melhor jogador da competição, quis bater à Panenka e permitiu a defesa do guarda redes.
O jogo segue para prolongamento e Pape Gueye, à lei da bomba, faz mesmo o primeiro golo e dá a vitória ao Senegal. Épico!
No meio de tudo isto, o guarda redes suplente do Senegal ainda se torna protagonista por ter de ir para trás da baliza do seu colega titular para lhe proteger a toalha, já roubada duas ou três vezes por suplentes marroquinos ou apanha bolas. Com o jogo a decorrer debaixo de chuva, a falta da toalha dificultava o trabalho do guarda redes que, por ter as luvas molhadas, podia ver a bola não aderir à luva e escorregar com mais facilidade.
Jogo terminado, festa feita e… nova queixa. Agora de Marrocos. A seleção vice-campeã aponta o dedo ao árbitro por ter deixado que o jogo recomeçasse depois do abandono senegalês.
Se alguém tivesse escrito um guião… não ficava tão bom como isto.
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