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Gazeta Paços de Ferreira

28/09/2026, 8:37 h

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QUAL É O PESO DUMA BANDEIRA || VIVA PORTUGAL !

Desporto Opinião

OPINIÃO

Então, questiono: Quanto pesa uma bandeira? Cantar o hino é suficiente?  Creio ser fundamental referenciar a sua ilustração sonora com a causalidade do significado literário, jamais escondendo o impulso mobilizador duma consciência representativa pelo amor aos valores duma terra que nos faz gente e da qual guardamos devotadamente a nossa identidade.

 

Recordo que no ano 2004, quando José Couceiro (que havia sido meu aluno do curso de treinadores, uma excelente turma onde figuravam, entre outros Carlos Brito, José Mourinho, Carlos Carvalhal, José Peseiro, etc.) treinava o F. C Porto, recebemos um convite da Associação de estudantes da universidade de Aveiro para uma Palestra, cujo tema se inseria na discussão das fundamentais competências para a obtenção do sucesso, muito em especial ao nível da Comunicação, Motivação, Autoconfiança e Coesão.

 

Perante um auditório a “rebentar pelas costuras” com presença de centenas de participantes, foi logo uma constatação absolutamente desafiante.

 

Após a intervenção inicial do meu parceiro de tribuna, largamente ovacionado, concedi um tempo curto de recuperação e após elevar uma bandeira nacional, solicitei que cada qual medisse a sua pulsação (na artéria radial, carótidas ou junto ao coração) se possível em 30 segundos e memorizasse esse valor. De seguida, para espanto da comunidade presente, solicitei que cantássemos o hino nacional. Todos de pé, lá fomos cantando “heróis do mar, nobre povo valente e imortal”, etc… A meio da cantoria, pedi para que se sentassem e voltassem a medir a frequência cardíaca e retirassem a comparação dos valores encontrados.

 

Seguidamente, fixei com um sentido absolutamente transcendental  a bandeira, pedi que acompanhassem em meditação referencial a mensagem das minhas palavras e iniciei a propósito uma temática que transcrevia o justificado símbolo evocativo do nosso hino pelas expressões que a história, tradições e luta dum povo se revisitam e acrescentei para além da soberania representativa da nossa bandeira como símbolo de lealdade, orgulho e pertença, acrescentando a força mobilizadora que a nossa história de Portugal como nação, quase a celebrar nove séculos, apaixonadamente se nos orgulha.

 

Povo das descobertas – pelo mar dentro foi capaz de marcar a expansão no desenho do mapa do mundo dum império na conquista de novos mundos, que para além de várias razões de ordem económica e social levou também a fé de Cristo implacavelmente rasgado no coração!...

 

Povo por vezes frágil, mas tantas e tantas vezes exemplar, emoldurado pelas imagens de glória que o tempo julga e também aplaude num verdadeiro palco comunitário onde sempre habita a esperança!...

 

Povo transportado para os palcos da alegria anunciada pelo ribombar dos morteiros e segue com suas merendas para a festa, cantando, e também ajoelhando ao passar a procissão!...

 

Povo que rasga a terra, curvando-se perante o chiar da enxada e descobre as razões da sementeira da sua subsistência, ou nas vindimas e pisadas no lagar, ou em plena desfolhada, entoando hossanas dum companheirismo coletivo, segregando desejos fortuitos, por vezes transferidos para conveniências feitas em amor, ou nas ceifeiras de trigo, cujas plantas outrora verdejantes, regadas pelas águas cristalinas que correram suavemente na terra entre raízes e a coraram de sua graça e formusura!...

 

Povo de danças e cantares que o folclore de cada terra expande, difundido pelos saberes que o passado representa, numa herança cultural que percorre gerações!...

 

Povo que, associando também ao tocar das concertinas ou bandas de música que persistem a continuar a identificar a malha mais nobre duma cultura local, ocupando os coretos nos centros cívicos expostos numa bela coreografia espalhada por todo o País e que em termos de despedida noite dentro, diversos artefactos explosivos produzem uma inconfundível mistura de luzes e som, conferindo raros espetáculos de beleza e saudade!...

 

Fui ao longo da minha evocação enfatizando esses e outros eixos mobilizadores duma consciência nacional, que tanto nos enobrecem e coroam a História de Portugal – povo valente e imortal.

 

Após esta descrição, solicitei que anotassem os valores da frequência cardíaca, cujos resultados se encontravam absolutamente diferenciados, configurados com a imagem afogueada dos seus rostos, cujos sinais indiciavam uma vibrante apetência para encarar o tema em discussão.

 

Então, questiono: Quanto pesa uma bandeira? Cantar o hino é suficiente?  Creio ser fundamental referenciar a sua ilustração sonora com a causalidade do significado literário, jamais escondendo o impulso mobilizador duma consciência representativa pelo amor aos valores duma terra que nos faz gente e da qual guardamos devotadamente a nossa identidade.

 

Mas como repetidamente tenho referido e atuando perante uma nova metodologia do treino desportivo, a identificação de um estado de alma e confiança nas ações a converter, no prazer em as realizar, no orgulho a confirmar, pode estar mais próximo do sucesso.

 

Entre o sentir e o pensar não existem fronteiras. Por isso o sentimento arrebatado para se conseguir um estatuto de vitória também é gerador de um estado de crença, como força motriz de intencionalidade operante, colocando em alerta o estado de entendimento, revertido como uma âncora de convicções autenticadas por uma experiência acumulada de sucessos obtidos, provocando um plano aberto de consciência para obtenção do êxito. Mas toda esta dinâmica pode e deve ser fundamentada na sua aplicabilidade quer antes do jogo (dito “aquecimento”), quer no momento de elevação da bandeira e entoação do hino nacional, quer no decorrer do próprio jogo.

 

Se tivermos atentos à tomada de posições de jogadores de sucesso no momento de preparação para converter uma grande penalidade ou um tipo de falta de perigo iminente para o adversário, colocam antecipadamente em estado de pura convicção, o regulador dos mecanismos sensoriais da atenção e concentração, induzindo um estado de confiança, vendo antecipadamente convertida a energia que emerge como fonte propulsora para o resultado em sucesso.

 

 Um claro exemplo está no nosso supercampeão Cristiano Ronaldo, quando antecipa a situação, na reconstrução das suas imagens mentais, associando as técnicas de relaxamento, regulação do mecanismo inspiratório e expiratório, imaginação e visualização mental, elevando o seu rosto focado no eterno, trazendo à sua essência mobilizadora da consciência pura, como âncora de presença a figura do seu amado e saudoso pai!...

 

Nesta retoma de nova liderança para a conquista de novos caminhos que a Seleção de todos nós se devota, deixo os meus desejos para que a Federação Portuguesa de Futebol, liderada de forma abnegadamente distinta pelo seu/nosso presidente Dr. Pedro Proença, bem como toda a estrutura técnica e jogadores, consigam atingir a bitola do sucesso.

 

Termino, subscrevendo uma das figuras mais gratas da minha vida, Professor Doutor Manuel Sérgio que, sei bem, tanto carinho remanescia por Jorge Jesus, confiando-me as razões que lhe advinham dum sentimento nobre e solidário, em que a causa participativa enfatizada pela experiência vivida, se transferia no esforço duma prática como critério da verdade em que do jogador (dizia) se esbate o homem,  onde emerge a carne, o sangue, o desejo, o prazer, a rebeldia, as emoções, os sentimentos, tudo isto visando a transcendência ou a superação para alcançar o êxito!...

Como o nosso querido e saudoso Professor ficaria feliz ao saber que Jorge Jesus lidera com mestria a seleção de todos nós … e a quem expresso o meu desejo para que sempre se apresente potencialmente solidária, emocionalmente resistente e abnegadamente imaculada.

VIVA PORTUGAL

José Neto: Doutorado em Ciências do Desporto; Docente Universitário; Embaixador Nacional de Ética e Fair Play do Desporto.

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