26/09/2026, 10:35 h
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Opinião Opinião Politica Partido Comunista CRISTIANO RIBEIRO
OPINIÃO POLÍTICA
Por Cristiano Ribeiro (Médico e Militante do PCP)
Os resultados desta avaliação de conhecimentos e competências dos alunos portugueses aos 15 anos, apesar de críticas justas à avaliação, são objetivos e sinais de um falhanço de políticas de ensino. Mostram um retrocesso histórico de dezenas de anos.
Lamenta-se que só agora soassem as campainhas de alarme perante uma situação que para muitos não foi identificada. Os responsáveis, os serviços oficiais, as instituições académicas do setor, as instituições democráticas, não alertaram a sociedade para uma evolução perigosa da qualidade do ensino ao longo dos últimos anos. A Torre inclinava-se e os observadores desviavam apenas o olhar.
Os nossos alunos apresentam graves dificuldades da Leitura. E porquê, pergunta um leigo? Talvez, direi eu, leigo, porque não lêem. Absorvidos por outras realidades, exigências, valores, distrações, ocupação de tempo, eles, simplesmente, não lêem. E a Escola, que faz, ou que fez até agora? Desiste, desculpabiliza, admite como secundária a prática da leitura, inventa muros intransponíveis.
A Língua Portuguesa (ou melhor, as línguas em português) é (são) sujeita(s) a tratos de polé na comunicação social, na comunicação informal, nas redes sociais. Não há verdadeira estratégia oficial de assegurar competência na leitura, privilegiando-se sempre o visual, o gráfico, com caminhos mais curtos e medíocres de expressar pensamentos e sentimentos.
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Na Matemática, igualmente, há uma aparente dificuldade inultrapassável, um presumido e não explicado obstáculo genético, que dificulta o acesso ao básico, ao elementar. A mesma ausência no enfrentar o problema. Parece-me, como leigo, que haverá um esforço suplementar de formação de professores a fazer, trazendo a matemática, como instrumento ao “convívio” das pessoas.
Mas concordo com os que alertam há muito para as bases instáveis da nossa “torre”: é necessário valorizar a carreira dos professores, pela redução do número de alunos por turma, pela estabilização do corpo docente, pelo rejuvenescimento dos profissionais e pelo reforço do investimento público direto nas infraestruturas escolares, pela defesa da Escola Pública, pela segurança, pela verdade nas notas atribuídas nos colégios particulares.
O Ensino deverá ter mais atenção e investimento do que as manigâncias da Guerra. Os únicos pelotões que verdadeiramente interessam são os “pelotões” educativos. A única “estratégia militar” que interessa é a que permite recuperar o sentido único dos estabelecimentos de ensino público em Portugal: ensinar, formar e qualificar gerações de jovens.
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