27/02/2026, 0:00 h
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Educação Opinião ROSÁRIO ROCHA
EDUCAÇÃO
Por Rosário Rocha (Professora do AE Frazão)
Vivemos uma época péssima no que aos bons exemplos diz respeito. Parece que se está a desvanecer a Sociedade dos bons costumes. A expressão “uma imagem vale mais do que mil palavras” também está a perder o seu efeito. O que nós vemos nem sempre é impactante positivamente e o que se diz é cheio de ruído, numa Sociedade em que se “berra” muito.
O papel da escola
A propósito de uma situação de alegado racismo num jogo de futebol na semana passada, Pep Guardiola, um dos melhores treinadores do Mundo, terá dito: ”O racismo está em todo o lado. Paguem mais aos professores, não aos jogadores”.
Guardiola não tomou posição sobre ter ou não havido racismo na situação que comentava, (tal como não me pronuncio, pois tenho algumas dúvidas na situação que vi), mas reconhece que há muitas formas de racismo e não somente pela cor da pele.
Mas a questão que destaco de Pep Guardiola é mesmo a importância que ele reconhece à Escola. Diz o treinador que é preciso combater a discriminação e que a Escola é o local certo para mudar comportamentos. Segundo Guardiola, os professores e os médicos devem ser as pessoas mais importantes da Sociedade e mais bem pagas e não os jogadores ou treinadores.
Eu não vou pela questão do vencimento, embora ele seja também importante. Mas o que é mesmo urgente é a valorização e o reconhecimento da profissão docente, enquanto agente de mudança da Sociedade. Agente de mudança não só nas qualificações académicas, mas essencialmente nos valores humanos.
A Escola e os seus profissionais precisam de reconhecimento, valorização e de autoridade para ensinar, exercer e fazer exercer a verdadeira cidadania, garantindo o respeito pela diferença e pelo Ser Humano.
Quando o mau exemplo vem de cima…
Não é fácil o papel da Escola, quando a Sociedade está “minada” e não se vê jeito de ser corrigida. E partilho convosco de onde vem um péssimo exemplo: da Casa da Democracia. A Assembleia da República é considerada a Casa da Democracia, pois é o local de representação da pluralidade da Sociedade. Mas, sinceramente, que péssimo exemplo nos dão!
Houve tempos em que achava importantíssimo que se fizessem visitas de estudo à Assembleia da República. Nunca lá fui, mas eu própria tinha curiosidade por poder assistir a alguma sessão naquela imponente instituição. Atualmente, considero que os alunos só devem lá ir se depois os professores puderem debater na escola, para que percebam o que não se deve fazer; o que não é democrático nem cívico.
Noutro dia assistia com a minha filha às notícias e, ao ver alguns trechos do que se passou na Assembleia, confesso que a nossa reação foi unânime: “parece um circo”! Respeito pela arte circense, que nos entretém, ao contrário desta que a mim me envergonha.

Restrição das redes sociais
Atualmente nem é preciso ver televisão para saber o que se passa. As redes sociais veiculam, quase à velocidade da luz, toda a informação e mais alguma. Os famosos “reels” ou outros vídeos fazem circular de forma rápida situações que são verdadeiras poucas vergonhas, que não revelam civismo nenhum e que são um ataque feroz a uma verdadeira cidadania. Com a Inteligência Artificial, ou edição fácil de imagens, nem sempre conseguimos distinguir verdade de ilusão.
Por tudo o que circula sem filtro, concordo que haja restrição nas redes sociais aos mais novos. Para tudo há um tempo. É preciso maturidade (se bem que a alguns demora a chegar) para saber Estar e saber Ser. As nossas crianças e jovens em fase desenvolvimento da consciência não podem ter livremente acesso ao que lhes traz mais prejuízo do que benefício.
Responsabilização
Ouvi, vi e li muitas opiniões sobre o caso de alegado racismo que se passou num jogo de futebol. Vi gente indignada, defendendo um lado e outro. Que se apure por quem de direito e se puna, se necessário!
Mas, por falar em punição, que se punam todos os casos que vemos de forma descarada muitas vezes ao ligar simplesmente a televisão, dito por quem deve Ser exemplo.
Costuma-se dizer que “quem diz o que quer, ouve o que não quer”. Até eu me revejo um bocadinho nisso, porque, tal como dizia a minha avó, “o pobre pode ir sem esmola, mas não sem resposta”. Agora, defendo que as pessoas devem ser responsabilizadas por aquilo que dizem, ainda mais quem deve dar o exemplo. Basta ver o tanque de roupa suja que viraram as redes sociais, muitas vezes com ataques vergonhosos atrás de perfis falsos, ou nos ataques que se fazem a pessoas ou grupos de forma pública, procurando o mediatismo. É importante que as pessoas paguem pelos seus atos, basta que a justiça não seja branda e, já que alguns não sabem o que é cidadania e respeito pelos outros de forma normal, que seja de modo coercivo. E quem está em cargos públicos deve ser duplamente punido, pois sabe que a sua visibilidade deve ser um exemplo positivo, construtivo e nunca negativo.
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