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Gazeta Paços de Ferreira

07/06/2026, 0:00 h

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Paços de Ferreira não é diferente. Estamos apenas no início…

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OS NOSSOS NO PARLAMENTO

Há uma frase que o dono de um posto de combustível assaltado em Paços de Ferreira, disse em julho de 2025, quando o assalto: "Isto acontece frequentemente. São apanhados, mas vêm cá para fora." Há apenas a resignação de quem já percebeu como funciona o sistema de justiça em Portugal e, toleramos isto como quem já se adaptou, a este “normal”!

Por Patrícia Nascimento (Deputada do Chega na AR e Deputada Municipal)

 

Paços de Ferreira não é o tipo de lugar que costuma aparecer nas notícias pelos motivos errados. Mas os factos começam a acontecer no concelho - um homem detido por tráfico de droga num bar, uma discussão com um ferido grave e três ligeiros, um posto de combustível assaltado cujo dono já nem se surpreende... Algumas não são notícias de nível nacional. Raramente são. Mas é exatamente assim que os sintomas começam a aparecer primeiro – nos sítios, onde ninguém está a olhar.

 

Na semana passada o Botâniko Park, em Meixomil, onde um homem encapuzado entrou de madrugada e esvaziou a caixa registadora, onde tudo ficou registado nas câmaras de vigilância. Os responsáveis do estabelecimento reagiram com ironia nas redes sociais, só assim é que se pode realmente levar o problema, sugeriram ao ladrão que havia lugar para quem quisesse trabalhar de forma honesta! É uma resposta bastante inteligente e oportuna, tendo em conta a dificuldade de recrutar no mercado regular. Mas analisando bem esta reação por parte dos donos, é mais uma vez o retrato de quem já não espera grande coisa do sistema.

 

 

 

 

E enquanto isto acontece, a PSP queixa-se há anos que os agentes passam mais tempo em trabalho administrativo do que os suspeitos passam na esquadra. O Governo anunciou agora que vai libertar as forças de segurança dessa burocracia, como já fez com os professores. É uma medida que merece ser bem-vinda — mas que também expõe, sem querer, uma verdade que construímos na sociedade durante anos… construímos um sistema em que o Estado dá menos condições e exige mais da polícia que escreve o relatório, do que do criminoso que motivou a ocorrência!

 

Há temas sérios de mais para continuarem a ser tratados como se não existissem. A insegurança que se instala devagarinho, a impunidade que se normaliza na sociedade, a confiança nas instituições que se vai corroendo. É uma questão de fundo sobre o tipo de país que estamos a construir.

 

Nós temos um problema sério e Portugal também… a porta giratória da justiça não funciona e já ninguém quer saber!

 

 

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