26/04/2026, 0:00 h
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OPINIÃO POLÍTICA
Por Miguel Moreira (Presidente da JSD Paços de Ferreira)
A própria história anterior ao 25 de Abril ilustra bem a importância da oposição. A ausência de pluralismo e de contraditório durante o Estado Novo contribuiu para a manutenção de políticas profundamente problemáticas, como a política colonial portuguesa, cujo rumo dificilmente teria sido tão prolongado e desgastante se existisse uma oposição livre, capaz de questionar, propor alternativas e influenciar o debate público. A falta de escrutínio democrático atrasou decisões e agravou custos humanos, políticos e económicos.
Neste contexto, a existência de uma oposição política forte e ativa é não apenas desejável, mas essencial para a concretização dos valores de Abril. A democracia não se esgota no ato eleitoral, exige um equilíbrio permanente entre governo e oposição, garantindo que o poder é exercido com responsabilidade, transparência e respeito pelas instituições.
Além disso, a oposição representa segmentos da sociedade que não se identificam com o governo, assegurando que diferentes perspetivas são consideradas. Este papel é essencial para evitar a concentração excessiva de poder e para garantir uma democracia inclusiva.

Esta realidade aplica-se não só ao plano nacional, mas também ao plano local. Em Paços de Ferreira, por exemplo, a dinâmica democrática exige maturidade institucional. Um executivo camarário sem maioria na Assembleia deve reconhecer a importância do diálogo e da construção de consensos. Isso implica ouvir mais a oposição e, quando necessário, ultrapassar posições de orgulho político para integrar propostas que possam beneficiar a população.
Num contexto em que o PSD apresenta contributos e alternativas, não deve prevalecer a ideia de que toda a proposta da oposição constitui uma afronta. Pelo contrário, o espírito democrático herdado do 25 de Abril exige abertura, negociação e respeito mútuo entre forças políticas.
Assim, os valores de Abril concretizam-se não apenas na existência de eleições livres, mas na prática contínua do diálogo democrático. Uma oposição respeitada e um governo disponível para ouvir são condições indispensáveis para uma democracia saudável, eficaz e verdadeiramente representativa dos cidadãos.
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