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Gazeta Paços de Ferreira

07/06/2026, 0:00 h

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Onde termina a propaganda e começa a responsabilidade política?

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OPINIÃO POLÍTICA

A política democrática assenta num princípio simples: quem exerce funções públicas tem o dever de prestar contas e de falar com verdade aos cidadãos. A confiança entre eleitos e eleitores constrói-se sobre factos, não sobre conveniências momentâneas nem sobre narrativas ajustadas às circunstâncias. O caso da ETAR de Arreigada é hoje um exemplo preocupante desta exigência de coerência política.

Por Miguel Pereira (Presidente do Partido Social Democrata de Paços de Ferreira)

 

Depois de um investimento superior a cinco milhões de euros e de anos de sucessivos anúncios públicos sobre o sucesso da obra, o próprio Município reconhece agora que a infraestrutura “não funciona e nunca funcionou conforme previsto” e que a empreitada permanece por concluir. Ainda na semana passada, foi levada a reunião de Câmara uma proposta nesse sentido.

 

Perante esta realidade, a questão central já não é apenas técnica ou contratual. É uma questão de credibilidade política. Em 2021, durante a campanha eleitoral, foi transmitida à população a ideia de que a ETAR estava em funcionamento. Sempre que surgiam dúvidas ou pedidos de esclarecimento, estes eram desvalorizados ou apresentados como tentativas de criar polémica. Por esta altura, visitei a ETAR de Arreigada, acompanhado por mais companheiros, tendo a visita sido conduzida pelo vereador do Ambiente, à data, Dr. Paulo Ferreira.

 

Hoje, os factos tornados públicos levantam uma pergunta inevitável: quando foi dita a verdade aos munícipes?

 

Se os responsáveis conheciam os problemas existentes e optaram por transmitir uma realidade diferente, estamos perante uma falha grave de transparência. Se, pelo contrário, desconheciam o verdadeiro estado da obra, então importa perceber como foi possível fazer afirmações tão categóricas sem a necessária validação técnica.

 

Em democracia, os cidadãos podem compreender erros. O que dificilmente aceitam é a contradição entre o discurso político e a realidade dos factos. A confiança pública não se protege com slogans, protege-se com verdade, responsabilidade e esclarecimentos objetivos.

 

Porque, no final de contas, o verdadeiro debate não é sobre uma ETAR. É sobre a verdade. E em democracia, a verdade não pode depender do momento político nem da conveniência de quem exerce o poder.

 

 

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