10/10/2026, 9:57 h
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Opinião Opinião Politica Juventude Socialista Habitação
OPINIÃO POLÍTICA
Por Celso Leal (Vice-Presidente da Juventude Socialista de Paços de Ferreira)
Para a JS, o OE2027 não pode ser apenas um exercício de contas. Tem de ser um compromisso com o futuro, com os jovens que querem ficar, com os que querem regressar e com todos aqueles que querem construir em Portugal uma vida com oportunidades, dignidade e esperança.
A habitação, por exemplo, tornou-se um obstáculo à autonomia, à emancipação e até à decisão de ficar. No entanto, o OE 2027 poderá contribuir para inversão deste caminho, podendo criar condições para que uma casa deixe de ser um privilégio e volte a ser uma possibilidade real para quem quer construir a sua vida em Portugal.
O aumento do custo de vida não pode ser tratado como uma inevitabilidade à qual as famílias portuguesas se devem simplesmente adaptar. Quando os combustíveis e os bens essenciais sobem, por exemplo, é o rendimento das famílias que diminui e a sua capacidade de viver com dignidade que fica comprometida.
Apesar de tudo isto, a responsabilidade social e a responsabilidade financeira devem de caminhar juntas. A defesa das contas públicas é importante, mas não pode significar que a estabilidade seja construída à custa de quem tem menos capacidade para suportar o aumento das despesas.

Para os jovens, investir no país é também investir na liberdade de escolher onde querem viver. Uma escola que funciona, um centro de saúde próximo, ciência que cria conhecimento, e inovação que gera emprego, não são meras despesas públicas, mas sim, condições para que um território tenha futuro. O nosso país não pode continuar a permitir que as oportunidades se concentrem nos grandes centros urbanos, enquanto tantos jovens são obrigados a partir para estudar, trabalhar ou simplesmente conseguir construir uma vida com dignidade.
É por isso que o OE2027 deve ser mais do que uma simples soma de receitas e despesas. Deve ser uma oportunidade para discutir que país queremos construir e, sobretudo, o que é que queremos deixar à próxima geração. Um país onde nascer fora dos grandes centros não determine as oportunidades de um jovem. Onde estudar não obrigue a partir e onde encontrar um emprego digno não implique.
Lutámos por um país onde os serviços públicos tenham capacidade para responder, os salários permitam viver com dignidade e cada geração encontre razões para ficar.
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