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Gazeta Paços de Ferreira

17/10/2026, 11:06 h

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Menos alunos por turma = mais professor por aluno

Educação Opinião

OPINIÃO

30 alunos por turma. Ciclo único do 1.º ao 6.º ano. E os resultados do PISA continuam a dar sinais que não podemos ignorar.
Será que estamos, realmente, a discutir o essencial?

Por Mauro Silva

 

Uma escola não é apenas um edifício novo, moderno ou requalificado.

 

Uma escola são, acima de tudo, os seus alunos e os seus professores.

 

E se queremos verdadeiramente melhorar a Educação em Portugal, talvez devêssemos começar por olhar para aquilo que acontece dentro da sala de aula.

 

Porque há uma pergunta que merece ser feita:

 

Como pode um professor conhecer verdadeiramente cada aluno, acompanhar as suas dificuldades, corrigir lacunas, estimular quem tem mais capacidade, recuperar quem ficou para trás, gerir comportamentos e, simultaneamente, ensinar uma turma com 30 alunos?

 

Não é apenas uma questão de espaço físico.

 

É uma questão de tempo, atenção, proximidade e relação pedagógica.

 

Uma turma com 15 alunos não é simplesmente uma turma com menos 15 cadeiras.

 

É mais tempo de professor para cada aluno.

 

É poder ouvir mais.

 

É poder explicar mais vezes.

 

É detetar dificuldades mais cedo.

 

É apoiar individualmente.

 

É adaptar estratégias.

 

É estabelecer regras.

 

É acompanhar comportamentos.

 

É criar relações.

 

É ensinar com maior proximidade.

 

É permitir que o professor seja, simultaneamente, professor, educador, orientador e adulto de referência.

 

E há outra discussão que não podemos continuar a evitar.

 

Flexibilizar currículos pode ser uma ferramenta pedagógica. A inclusão é um princípio fundamental. Apoiar alunos com diferentes necessidades é indispensável.

 

Mas flexibilizar não pode significar baixar expectativas.

 

Facilitar não pode transformar-se em desistir de exigir.

 

E nenhum decreto, nenhuma norma e nenhuma alteração curricular pode substituir aquilo que está na base de qualquer aprendizagem: trabalho, esforço, disciplina, responsabilidade, conhecimento e vontade de aprender.

 

Os resultados do PISA 2022 devem, pelo menos, levar-nos a refletir seriamente sobre o caminho que estamos a seguir.

 

E talvez seja altura de deixarmos de olhar apenas para edifícios, reformas administrativas e alterações legislativas.

 

É dentro da sala de aula que a Educação acontece.

 

E dentro da sala de aula há uma coisa que faz toda a diferença: o tempo que um professor consegue dedicar a cada aluno.

 

Por isso, na minha perspetiva, investir verdadeiramente na Educação também passa por isto:

 

MENOS ALUNOS POR TURMA = MAIS PROFESSOR POR ALUNO.

 

Mais proximidade.

 

Mais acompanhamento.

 

Mais exigência.

 

Mais relação.

 

Mais aprendizagem.

 

 

 

 

Porque investir na Educação não é apenas construir escolas.

 

É criar condições para que os professores possam ensinar e para que os alunos possam aprender.

 

E talvez esteja na hora de ouvirmos mais quem está, efetivamente, dentro das salas de aula.

 

Quem passa anos com os alunos.

 

Quem conhece as suas dificuldades, as suas necessidades e as suas potencialidades.

 

Quem enfrenta diariamente os desafios que tantas vezes são decididos por quem está longe da realidade concreta das escolas.

 

A Educação não pode ser pensada apenas a partir de gabinetes.

 

Não pode ser construída apenas por quem define regras, normas e orientações sem viver diariamente as consequências dessas decisões.

 

Quem está no terreno tem de ser ouvido.

 

Professores, alunos, famílias e todos aqueles que conhecem a escola por dentro têm uma palavra essencial a dizer.

 

Porque é muito fácil definir regras para os outros quando não se vive, diariamente, com as consequências dessas mesmas regras.

 

É muito fácil decidir sobre a sala de aula sem estar dentro dela.

 

Mais difícil é estar lá. Ensinar. Educar. Gerir. Acompanhar. Recuperar. Motivar. E não desistir.

 

É aí que a Educação acontece.

 

E é aí que devemos começar a procurar as respostas.

 

Menos alunos por turma. Mais proximidade. Mais professores por aluno. Mais exigência. Mais aprendizagem.

 

Se queremos mudar os resultados, talvez tenhamos de começar por mudar as condições em que professores e alunos trabalham todos os dias.

 

Os professores tem família, os alunos tem família.

 

Os alunos precisam de tempo para atividades extra.

 

Os professores precisam de tempo para a família, tempo físico, tempo psicológico.

 

 

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