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Gazeta Paços de Ferreira

27/09/2026, 0:00 h

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Mais do mesmo. Já não há paciência...

Opinião Opinião Politica Partido CDS/PP

OPINIÃO POLÍTICA

A União Europeia voltou a subir as taxas de juro. Mais uma vez, a prestação da casa agradece. Os bancos também.
Mas vale a pena pensar um pouco sobre isto.

Por Óscar Leal (Militante do CDS de Paços de Ferreira)

 

Em 2022 e 2023 disseram-nos que era necessário subir os juros para combater a inflação. A explicação era simples: havia demasiado dinheiro a circular, demasiado consumo, demasiada procura. Como os preços estavam a subir, a solução encontrada foi tornar o crédito mais caro. Menos crédito, menos consumo, menos procura, menos inflação.

 

Tudo muito lógico. Tudo muito científico. Tudo muito europeu.

 

Entretanto, chegamos a 2026 e surge um novo problema: tensões no Estreito de Ormuz, perturbações no mercado petrolífero e aumentos sucessivos do preço dos combustíveis.

 

E o que acontece quando os combustíveis sobem?

 

Sobe o transporte. Sobe a produção. Sobe a distribuição. Sobe praticamente tudo.

 

Mas desta vez os preços não sobem porque as famílias decidiram consumir mais. Não sobem porque as pessoas foram comprar três frigoríficos, quatro televisões e dois automóveis. Sobem porque a energia ficou mais cara.

 

Pormenor irrelevante? Pelos vistos, sim.

 

Porque, apesar das causas serem diferentes, a receita é exactamente a mesma.

 

A inflação sobe? Subam-se os juros.

 

A inflação sobe porque há excesso de procura? Subam-se os juros.

 

A inflação sobe porque o petróleo dispara? Subam-se os juros.

 

A inflação sobe porque um camião demorou mais tempo a atravessar metade do planeta? Subam-se os juros.

 

 

 

 

É reconfortante saber que existem pessoas altamente qualificadas, rodeadas de assessores, consultores, estudos, relatórios e gráficos coloridos, capazes de encontrar a mesma solução para problemas completamente diferentes.

 

Alguns chamam-lhe consistência.

 

Outros poderão chamar-lhe falta de imaginação.

 

A questão é simples: estaremos perante uma política económica que analisa as causas dos problemas ou perante uma política que apenas reage aos resultados?

 

Será razoável tratar da mesma forma uma inflação gerada pelo consumo e uma inflação provocada pelos custos da energia?

 

Será que penalizar milhões de famílias com crédito à habitação resolve um problema criado pelo preço do petróleo?

 

Ou será que, independentemente da doença, a receita já estava escrita antes mesmo do diagnóstico?

 

Cada um que tire as suas conclusões.

 

Eu já tirei as minhas.

 

 

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