12/04/2026, 0:00 h
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OPINIÃO POLÍTICA
Por Célia Carneiro (Presidente de Mulheres Social Democratas de Paços de Ferreira)
Abril abriu as portas à democracia, ao pluralismo e ao direito de cada cidadão pensar, participar e escolher sem medo. Foi esse espírito que permitiu construir um país mais livre, mais justo e mais aberto à diversidade de opiniões.
Este ano, ao evocarmos também os 50 anos das primeiras eleições livres, celebramos um dos momentos mais importantes da nossa democracia: a consagração do voto livre como expressão máxima da vontade popular.
Mas celebrar esse marco exige mais do que memória. Exige coerência. Porque a verdade é simples; a liberdade política não pode ser aceite apenas quando nos é confortável. Não pode ser exaltada quando confirma as nossas convicções e posta em causa quando o pensamento, a opinião ou a escolha do outro nos desagrada.
Infelizmente, assistimos demasiadas vezes a uma ideia seletiva de democracia. Fala-se de liberdade, mas nem sempre se aceita a liberdade dos outros. Invoca-se o pluralismo, mas com reservas quando esse pluralismo incomoda. E é precisamente aí que se revela a maturidade democrática de uma sociedade.
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A democracia não se mede apenas nos discursos nem nas datas simbólicas. Mede-se na forma como lidamos com a diferença, no respeito pelas escolhas livres e na capacidade de aceitar que a liberdade não existe apenas para validar aquilo com que concordamos.
As mulheres sabem bem o valor desta conquista. Durante demasiado tempo, a sua participação foi limitada, a sua voz secundarizada e o seu espaço reduzido.
Também por isso, Abril representa muito mais do que uma mudança política: representa a abertura de caminho a uma sociedade onde as mulheres puderam, e continuam a poder, afirmar-se plenamente na vida pública, profissional, social e política.
Celebrar Abril é, por isso, assumir um compromisso diário com a liberdade, com a responsabilidade e com a democracia. Porque defender a liberdade apenas quando ela nos favorece não é democracia. É conveniência.
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