18/10/2026, 0:00 h
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LABAREDAS DO INFORTÚNIO (II)
Por José Neto (Doutorado em Ciências do Desporto; Docente Universitário; Embaixador Nacional para a Ética e Fair Play no Desporto)
A prática do treino e do jogo exige uma elevada capacidade pulmonar que suporte o aumento da frequência respiratória e dos volumes da capacidade vital em resposta à maior e exigente necessidade de oxigenação dos tecidos.
Em relação à atividade desportiva, em condições tão poluentes que tardam a desaparecer, sabemos que a toxidade libertada pelos componentes químicos do fumo dos incêndios, origina uma drástica redução na oxigenação dos músculos e cérebro, afetando de forma copiosa a performance e originando ainda problemas gravosos em termos pulmonares para o futuro.
Treinar e jogar em locais de concentração de gases tão poluentes como os que nos são dados a conhecer, para além dos malefícios já indicados, podemos associar o estado de sonolência com elevado prejuízo à função cognitiva e outras vertentes de carácter neuro funcional, vendo-se diminuir o estado de imunidade.

No sentido da preservação e promoção da saúde e qualidade de vida dos atletas, algumas medidas de urgência deveriam ser tomadas pelas autoridades político desportivas (federações, associações, clubes), mas o circo está montado, a bilhética difundida, as redes comerciais agigantam-se e o povo gosta!...
Vá lá que em tempos surgiu um bom exemplo das Associações de Futebol de Aveiro, Viseu e Porto que decidiram adiar as jornadas dos jogos nos seus distritos, devido às situações causadas pelas labaredas do infortúnio, anotando-se as situações conhecidas por parte de algumas equipas que no micro ciclo dessa semana eliminaram os treinos sob as condições de toxidade ambiental, adaptando a realização do esforço a espaços interiores (sem ar poluente), naturalmente com aplicação das metodologias nem sempre mais convenientes para a manutenção e conservação do estado de forma desportiva.
Ainda ressalvar a atitude de nobreza de princípios dos clubes e instituições que se vão unindo ao esforço comum no apoio a quem ficou agarrado à dor, pela perda da esperança e incerteza do futuro. Perante a desgraça, há sempre quem faça da solidariedade um compromisso e que, tantas vezes quantas as necessárias, vai ao fundo da alma e saca o que lhe resta!...
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